00:00
21° | Nublado

Antiga sede de jornal vira pó
Estrutura que abrigou o jornal 'O Estado' por décadas é demolida e reacende debate sobre memória da imprensa catarinense

Antiga sede de jornal vira pó
Prédio na SC 401, em frente ao Jardim da Paz, marcou gerações de profissionais e leitores até o fechamento do periódico nos anos 2000. (Foto: HBN / Imagem da Ilha)

Publicado em 25/02/2026

Os últimos vestígios de um símbolo do jornalismo catarinense estão desaparecendo. Operários vêm trabalhando, em ritmo acelerado, na derrubada do prédio que sediou o jornal O Estado até o fechamento da empresa, no final dos anos 2000, na SC-401, em frente ao Jardim da Paz, onde até recentemente funcionava a loja AB Home. 

 A construção tinha forte valor histórico e afetivo por ter abrigado alguns dos mais respeitados profissionais de imprensa à época - O Estado foi pioneiro em Santa Catarina na contratação de profissionais formados em universidades que promoveram, segundo a Wikipédia, um jornalismo com distanciamento do poder e projetos editoriais modernos.

Fundado em 1915, o periódico foi nas décadas seguintes o mais importante e influente veículo impresso de Santa Catarina. De 1943 a 1985, o jornal foi dirigido pelo ex-governador Aderbal Ramos da Silva. Com a morte do "dr. Aderbal", passou a ser liderado por um genro de Ramos, José Matusalém Comelli, que permaneceu no posto até 2006, quando toda a estrutura foi vendida, num derradeiro esforço de salvamento, para o empresário gaúcho Adriano Kalil.

O motivo principal que aprofundou o colapso de O Estado foi, segundo relatos de quem viveu o processo de decadência do veículo, a concorrência do Diário Catarinense, lançado em 1986 como primeiro jornal informatizado do país. 

O jornalista Cesar Valente, editor-chefe do jornal em 1988 e 1989, comenta: "A sede do Saco Grande foi desenhada e construída especialmente para abrigar um jornal em crescimento. Depois da sede improvisada num galpão da Felipe Schmidt, foi um progresso notável: espaço para a rotativa, para os laboratórios, para a composição, para a área administrativa, um restaurante e, claro, uma grande e envidraçada área para a redação".

Valente acrescenta: "A deterioração do jornal, sua morte lenta e dolorosa , antecedeu a deterioração da sede. E era inevitável que o prédio, construído para uma finalidade específica, ao perder sua função original, acabasse sendo demolido. O lamento sempre foi pelo fechamento do jornal. O prédio, enquanto o jornal existiu, cumpriu bem sua função e trabalhar lá nos animava a todos".

O acervo histórico do jornal está digitalizado pela Hemeroteca Catarinense e Udesc.

 

Texto por Urbano Salles

Para ler outras colunas do jornalista Urbano Salles clique AQUI

Para voltar à capa do Portal o (home) clique AQUI

Para receber nossas notícias, clique AQUI e faça parte do Grupo de WHATS do Imagem da Ilha.

Gostou deste conteúdo? Compartilhe utilizando um dos ícones abaixo!

Pode ser no seu Face, Twitter ou WhatsApp

Comentários via Whats: (48) 99162 8045

Siga-nos no Google notícias

Google News


Sobre o autor

Urbano Salles

Urbano Salles

Jornalista de Florianópolis, colunista do Imagem da Ilha.


Ver outros artigos escritos?