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Câmeras reforçam investigação sobre morte do cão Orelha
Registros não mostram agressão, mas ajudam a montar sequência dos fatos

Câmeras reforçam investigação sobre morte do cão Orelha
A Polícia Civil utiliza gravações de câmeras de segurança para reconstruir a linha do tempo da morte do cão Orelha. (Foto: Reprodução internet)

Publicado em 09/02/2026

Imagens de câmeras de segurança passaram a ser um dos principais elementos da investigação que apura a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida em janeiro, em Florianópolis. Os registros detalham a movimentação de adolescentes na Praia Brava horas antes do animal ser encontrado ferido.

As gravações analisadas pela Polícia Civil mostram o deslocamento de dois adolescentes durante a madrugada de 4 de janeiro, véspera da morte do cão. O material é considerado fundamental para a reconstrução da cronologia dos fatos, embora não haja imagens diretas do momento das agressões.

Trajeto registrado pelas câmeras

De acordo com a investigação, por volta das 5h25, dois adolescentes aparecem nas imagens descendo em direção à faixa de areia por um acesso de condomínio. Um deles, apontado como investigado, usava moletom preto e boné. A polícia estima que as agressões ao animal tenham ocorrido cerca de cinco minutos depois, por volta das 5h30, período em que não há câmeras posicionadas diretamente na praia.

Às 5h58, o mesmo adolescente é flagrado retornando da praia acompanhado de uma amiga, o que reforça, para os investigadores, a linha do tempo elaborada até o momento.

Aparição do animal ferido

Mais tarde, às 6h32, Orelha surge nas imagens caminhando com dificuldade nas proximidades de lixeiras e seguindo em direção ao gramado de um condomínio. Para a Polícia Civil, nesse momento o cão já apresentava sinais das agressões. Ele permanece deitado no local até aproximadamente 7h06, sem se deslocar.

Essas imagens, no entanto, também são utilizadas pela defesa dos adolescentes investigados, que apontam inconsistências entre os registros e os relatos de pessoas que prestaram socorro ao animal.

“Se ele estava circulando e ele não tinha condições de andar, segundo as pessoas que socorreram ele, tem alguma divergência aí. São indícios contraditórios”, afirmou Antônio Alexandre Kale, advogado de dois investigados.

O que diz a defesa

Em nota, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte classificaram as informações divulgadas pela Polícia Civil como “elementos meramente circunstanciais”, que, segundo eles, não configuram prova conclusiva. A defesa também destacou que ainda não teve acesso completo aos autos do inquérito.

Os advogados criticaram o que chamaram de politização do caso e afirmaram que a pressão por apontar responsáveis teria inflamado a opinião pública, com base em investigações consideradas frágeis e inconsistentes, atingindo pessoas inocentes de forma irreparável.

Encontro do animal e desdobramentos

O cão Orelha só foi localizado na tarde do dia seguinte, quando uma moradora percebeu que o animal apresentava sangramento pelo nariz e pela boca. Ele foi levado ao veterinário enrolado em um lençol, mas não resistiu e morreu no dia 5 de janeiro.

Enquanto a investigação segue, a Justiça de Santa Catarina determinou que a família do jovem investigado entregue o passaporte em até 24 horas. A medida atende a um pedido da Polícia Civil, com parecer favorável do Ministério Público, após surgirem informações sobre uma possível tentativa de saída do país.

A Polícia Civil também aguarda concluir, até a metade desta semana, a análise dos celulares apreendidos. O objetivo é verificar se outros adolescentes tiveram participação nas agressões ou em eventuais atos infracionais relacionados ao caso. A apuração permanece em andamento.

Relembre o caso do Orelha, cão comunitário da praia Brava.

Caso Orelha reacende debate sobre proteção animal em SC.

 

 

 

Da redação

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