Capital tem show vibrante e apresentação mágica, por Duda Hamilton
O som periférico de Josiel Konrad com sopros e o mundo encantado de Adriana Partimpim
Semana movimentada com dois shows apresentados pela primeira vez em Florianópolis: No OAraçá Botequim, o trombonista, compositor e cantor da Baixada Fluminense, Josiel Konrad, e no CIC, Adriana Partimpim, a versão infantil de Adriana Calcanhotto. Partimpim fechou a 24ª Mostra de Cinema Infantil com um espetáculo mágico para todas as idades: O Quarto no Palco.
Há pouco mais de dois anos me tornei fã do Josiel Konrad. Ele está sempre nas minhas playlists. O carioca, com rápida passagem pelo Rio Grande do Sul, faz um som inusitado: mescla jazz com funk carioca, com pitadas de samba e soul. Ganha ouvintes com seu Jazz Proibidão, espetáculo que em breve vai percorrer o país. No OAraçá, ele mostrou parte deste trabalho.

Seu trabalho Boca no Trombone (2023) está esgotado e os LPs venderam muito rápido. O mesmo ocorreu com seus dois álbuns + Amor, o primeiro disco, e Timeline, ambos de 2017. Para conhecer a criatividade de Josiel, é só ligar os streamings de música ou o youtube e se deixar levar pelo instrumento, pela voz e por sua forma inovadora de fazer música. Recomendo canais sensoriais abertos!
“O trombone é o mais próximo da voz, é um instrumento orgânico", afirmou Josiel, já com o figurino do show, na entrevista que concedeu no mezanino do botequim. Conversamos sobre música, preconceito, vida e ativismo, temas de suas composições. Logo percebi que a Baixada Fluminense é a raiz do trombone de Josiel e que seu lema é "não temer, não ter medo”. Ele confidenciou que sua ideia sempre foi popularizar o jazz, embora na periferia fosse bem difícil aceitar o jazz. Também queria tirar o funk carioca de seu gueto.
"No início até fiz um jazz gafieira, mas popularizou quando misturei com o funk carioca", conta ele. “Eu saí presencialmente da periferia, mas a periferia não saiu de mim e, de uma hora para outra, essa mistura ativou minha alma", diz o sorridente músico, que queria ser baterista, foi fotógrafo e participante da banda da igreja evangélica.
Em sua primeira turnê pelo Sul do Brasil, Josiel apresentou um novo baterista, o gaúcho Lucas Fê, e os antigos parceiros, o tecladista Natan e o baixista Giordano Bruno, todos virtuosos. O show de Floripa, que contou com alguns clássicos do jazz, reuniu um público vibrante que se balançou por uma hora e quinze, e cantarolou algumas músicas do repertório, como Mulher Força, que o compositor fez para sua mãe:
Você tem, a voz que me ensina / Você tem, o mundo em suas mãos / Você tem, encantos que encantam corações / Você é, a luz a que não se apaga / Você é, um sonho tão real / Você é, desplanto que separa o bem do mal / Mulher força / Mulher vida / Mulher água / Mundifica.
Mas o público, entre 30 e 60 anos, dançou, cantou alto e vibrou com a popular: Piririm, piririm, piririm / Alguém ligou pra mim / Piririm, piririm, piririm / Alguém ligou pra mim, quem é?
É um show em pé, para dançar e ouvir o inusitado! Parabéns ao OAraçá Botequim que trouxe este mestre até nós. Estou à espera da volta do trombonista à Ilha, com seu Jazz Proibidão, de preferência em lugar aberto, gratuito e para balançar ao som de seu trombone e voz.
Adriana Partimpim e seu mundo encantado
Diferente de Josiel, Adriana Calcanhotto é velha conhecida. Lá da década de 1980, em Porto Alegre, quando começou no icônico bar Porto de Elis, no bairro Petrópolis. Sua voz e timidez me impressionaram. Dali pra frente acompanhei sua carreira e suas apresentações em bares, casas noturnas, festivais e teatros, em Porto Alegre, Floripa e Rio de Janeiro.
Até sábado último não tinha assistido aos shows infantis de Calcanhotto, quando ela vira, magicamente, Adriana Partimpim. Que coisa linda, fascinante, encantadora e ilusória a sensação deste espetáculo O Quarto no Palco. Em Florianópolis, foi sua primeira e única apresentação e cumpriu com o objetivo da diretora da Mostra de Cinema Infantil, Luiza Lins. “O show de Adriana Partimpim, no encerramento, simboliza esse espírito: arte, imaginação e educação caminhando juntos para encantar crianças e adultos em um mesmo palco”.
A turnê do show marca o reencontro da cantora e compositora com o público, pois há 15 anos ela não fazia apresentações como Adriana Partimpim. A platéia cantou hits como Ciranda da Bailarina, Saiba e Fico Assim Sem Você, todos com novos arranjos. A concepção musical é de Adriana, auxiliada por Pretinho da Serrinha na formação da banda e Marlon Sette, nos arranjos. São mais de 20 canções, compiladas dos quatro álbuns de estúdio.
A banda é composta por oito excelentes e reconhecidos músicos, muitos colaboradores de longa data da sonoridade das Adrianas. Entre eles, Davi Moraes (guitarra), Sette (arranjos e trombone), Arimatéa (trompete) e Jorge Continentino (saxofone, clarinete e flautas). Da nova geração fazem parte João Moreira (baixo), Luizinho do Jeje (percussão), Antonio Dal Bó (teclados e sintetizadores) e Thomas Harres (bateria). Três peças são joias neste show e deixam crianças de qualquer idade, como eu, absortas: a troca de figurinos no palco, os diversos e coloridos cenários e o repertório. O mundo é dos que sonham.
Obrigada, Adriana e Josiel pela arte de vocês, que atiça e enfeitiça!
Texto por Duda Hamilton
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Sobre o autor
Duda Hamilton
Duda Hamilton é jornalista e escritora, com 11 livros de história política, biografias e histórias empresariais. A música é sua grande paixão, acompanhando a cena musical de Santa Catarina há 35 anos
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