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Como o Diabetes pode afetar a resposta às vacinas
Especialistas destacam que o controle da glicemia é fundamental para garantir boa resposta imunológica após a vacinação

Como o Diabetes pode afetar a resposta às vacinas
Controle da glicemia antes e depois da vacinação melhora a eficácia imunológica em diabéticos. (Foto: Divulgação)

Publicado em 14/11/2025

O diabetes é uma das doenças crônicas que mais crescem no mundo. Segundo a International Diabetes Federation (IDF), 589 milhões de adultos vivem hoje com a condição — o equivalente a uma em cada nove pessoas entre 20 e 79 anos. A projeção é alarmante: até 2050, esse número deve ultrapassar 850 milhões (1). No Brasil, há 16,6 milhões de adultos diagnosticados com diabetes, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) (2). Além dos impactos metabólicos, cardiovasculares e renais conhecidos, há um aspecto menos comentado, mas igualmente importante: como o diabetes pode interferir na resposta do organismo às vacinas.

Estudos apontam que pessoas com diabetes podem ter uma imunogenicidade ligeiramente reduzida — ou seja, uma menor produção de anticorpos após a vacinação. No entanto, isso não significa menor efetividade clínica, já que a proteção contra formas graves das doenças costuma permanecer sólida (3,4). O grau de impacto varia conforme o tipo de patógeno, o imunizante e o desfecho avaliado — infecção leve, hospitalização ou óbito.

“O diabetes não impede que a vacina funcione. O que pode acontecer é que o organismo produza uma quantidade um pouco menor de anticorpos, mas ainda suficiente para garantir proteção contra infecções graves”, explica a Dra. Rosana Richtmann, médica infectologista do Delboni Salomão Zoppi e Lavoisier.

Um artigo publicado no portal Dasa Educa — braço de educação científica da Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil — destaca que a hiperglicemia crônica interfere no equilíbrio do sistema imunológico (5). A glicose elevada prejudica o funcionamento de células de defesa chamadas fagócitos, responsáveis por eliminar vírus e bactérias, e altera a produção de citocinas, moléculas que coordenam a comunicação entre essas células. Além disso, o excesso de glicose pode comprometer a eficiência das células de memória, que garantem a resposta rápida após uma nova exposição ao vírus.

“Essas alterações ajudam a explicar por que pessoas com diabetes são mais vulneráveis a infecções e podem ter uma resposta vacinal um pouco menor. Mas isso não reduz a importância da imunização — pelo contrário, reforça o quanto ela é necessária”, ressalta a Dra. Maria Isabel de Moraes-Pinto, médica infectologista e consultora em vacinas na Dasa. 

Vacinas e cuidados recomendados

O artigo reforça que não há vacinas contraindicadas para pessoas com diabetes, salvo condições específicas, como febre alta ou alergia a componentes da fórmula.

 As principais recomendações das sociedades médicas — SBD e SBIm — incluem:

Influenza: dose anual para todos os adultos com diabetes. Estudos mostram que a vacina reduz significativamente o risco de hospitalizações e complicações respiratórias em pessoas com diabetes (6).

Pneumocócicas: recomenda-se o uso de vacinas conjugadas (VPC13, VPC15 ou VPC20), que reduzem hospitalizações por pneumonia e outras infecções respiratórias (6).

Hepatite B: três doses; para usuários de glicosímetros compartilhados ou profissionais de saúde com diabetes, recomenda-se testar anticorpos anti-HBs logo após para confirmar resposta.

Herpes-zóster (RZV): duas doses, com intervalo de dois a seis meses, indicadas a partir dos 50 anos ou a partir de 18 anos de idade, em situações de maior risco, como é o caso das pessoas com diabetes. Evidências indicam que a vacinação reduz o risco de zóster e suas complicações dolorosas, mesmo entre pessoas com diabetes (7).

Vírus Sincicial Respiratório: vacina inativada, indicada para pessoas com diabetes a partir dos 50 anos de idade.

Vacina COVID-19: indicada para pessoas com comorbidades como diabetes anualmente.

Otimizando a resposta à vacinação

Além de seguir o calendário vacinal, algumas atitudes podem melhorar a resposta imunológica em pessoas com diabetes:

- Manter o controle glicêmico antes e depois da vacinação.
- Hidratar-se e dormir bem nas 24 horas que antecedem a imunização.
- Avaliar o uso de imunossupressores, com orientação médica.
- Evitar adiar a vacinação por medo de eventos leves — sintomas como dor local e febre baixa são transitórios.

 “A vacinação é parte essencial do cuidado integral da pessoa com diabetes. Quando ela está associada ao bom controle da glicemia, o benefício é duplo: proteção individual e redução da sobrecarga no sistema de saúde”, conclui Richtmann.

Checklist prático: vacinas por faixa etária

De 19 a 49 anos

Influenza (anual)
Hepatite B (3 doses)
Pneumocócica conjugada (VPC13, VPC15 ou VPC20)
dT/dTpa (a cada 10 anos)
Varicela (se suscetível)
Vacina COVID-19

A partir de 50 anos

Influenza (anual)
Pneumocócica conjugada (VPC13, VPC15 ou VPC20)
dT/dTpa (a cada 10 anos)
Herpes-zóster (RZV, 2 doses)
Vírus sincicial respiratório (VSR) — verificar indicação médica, especialmente a partir dos 50 anos
Vacina COVID-19

Antes de vacinar: leve o cartão vacinal, lista de medicamentos e resultados recentes de glicemia.

Depois de vacinar: monitore a glicemia por 24–48 horas — pequenas elevações são comuns e passageiras.

 

 

 

Da redação

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