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Pareidolia, por Denise Evangelista Vieira
Uma brincadeira de observar figuras nas nuvens antecede uma mudança inquietante na natureza, que parece anunciar algo terrível

Pareidolia, por Denise Evangelista Vieira
Em “Pareidolia”, Denise Evangelista Vieira apresenta duas meninas que aproveitam as férias em meio a uma paisagem de rios cristalinos, cachoeiras e montanhas. (Foto: IA WhatsApp)***clique para ampliar imagem

Publicado em 11/10/2026

As meninas estavam de férias e saíram para passear pelos campos. Naquela época eram considerados os mais bonitos de todo o mundo. Os ecos da sua música eram ouvidos em várias partes da Terra. A natureza era exuberante, não havia estrangeiro que chegasse ali e não ficasse boquiaberto. A culinária daquele lugar era como a população que o habitava: colorida, variada, ousada, picante em alguns cantos, corpulenta em outros, delicada em outros mais. O fato é que reunia em volta das mesas um povo forte, barulhento, cheio de ideias e de vontade. Também era verdade, não fazia muito tempo, muitos habitantes não tinham o que comer. Mas haviam encontrado um jeito de acabar com aquela imensa tristeza. Demorou mais de 500 anos, mas encontraram um jeito para que ninguém mais passasse fome por ali.

As duas caminhavam livres, felizes. Estavam de férias, suas famílias e toda a comunidade vinham mais atrás. Todos iriam tomar banho de rio. E o rio, ah o rio! Era de uma água cristalina, transparente, fresca. Brilhava com os raios de sol. Parecia um rio de diamantes. Por perto havia muitas cachoeiras. Naquela região, viviam algumas comunidades indígenas. Mais adiante se enxergava montanhas tão altas que pareciam que podiam encostar no céu e, do outro lado, descendo vertiginosas, elas se encontravam com o mar. 

Enquanto caminhavam, planejavam o futuro, sonhavam juntas. Uma dizia que queria ser arquiteta, a outra se via viajando pelo mundo. Não sabia ainda o que escolheria como profissão, mas ambas não tinham dúvida de que seriam felizes, que teriam tudo que fosse necessário para realizarem os seus sonhos.

Olharam para trás e viram ao longe a comunidade entrando na estrada, lá perto da cidade baixa. Elas ainda tinham uma meia hora antes que todos chegassem. Deitaram sobre a relva e ficaram brincando de ver formas nas nuvens. “Pareidolia”, disse uma delas. “O quê?”, perguntou a outra. “Isso que nós estamos fazendo, é pareidolia. Ver para (além de) e eidolon, (do grego, imagem), ou seja, estamos enxergando para além da imagem.”  

As duas ficaram ali, perdidas no tempo, vendo coisas no céu. De repente, uma delas percebeu que o ar tinha mudado, algo estava estranho. Um frio que parecia escalar as encostas e engatinhar pelo campo, se avizinhava. Os pássaros começaram a se movimentar apressados, observou que as árvores, mesmo as de raízes profundas, se inclinavam para todos os lados. Ela disse, “tem alguma coisa estranha acontecendo!”. A outra falou: “eu não estou sentindo nada!”. A primeira insistiu: “precisamos sair daqui agora!”.

Não se sabe o que, de fato, aconteceu a seguir. Porque nunca mais se teve notícia daqueles campos. 

 

 

 

Caso você queira entrar em contato com a Denise, mande uma mensagem para deevavi.psicoterapeuta@gmail.com.

 

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Sobre o autor

Denise Evangelista Vieira

Denise Evangelista Vieira

Psicóloga formada pela UFSC e em Artes Cênicas pela Udesc. Escreve sobre o universo humano. Quem somos e em quem podemos nos tornar? CRP 12/05019.


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