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Golpe do falso advogado em SC preocupa autoridades

Golpe do falso advogado em SC preocupa autoridades
Assembleia Legislativa de Santa Catarina alerta sobre fraude que utiliza dados de processos e identidade de advogados para aplicar golpes. (Foto: Ana Quinto / Agência AL)

Publicado em 10/03/2026

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) voltou a alertar a população sobre o chamado “golpe do falso advogado”, prática criminosa que já fez milhares de vítimas no país e tem causado prejuízos financeiros e emocionais. A iniciativa busca explicar como a fraude ocorre, quais sinais indicam risco e quais cuidados podem evitar novos casos.

O alerta ganhou destaque após pronunciamento do deputado Ivan Naatz (PL), que também é advogado. Segundo ele, a fraude tem se tornado um problema crescente.

“Virou uma questão grave de segurança pública. Mas as pessoas podem se prevenir desconfiando de qualquer pedido de pagamento urgente e, nesses casos, buscando contato direto e presencial com seu advogado”, orientou.

Como o golpe acontece

Criminosos entram em contato com a vítima, geralmente por WhatsApp ou telefone, se passando por advogados, representantes de escritórios ou até integrantes do sistema de Justiça. Eles informam que há valores a receber em um processo e afirmam que, para liberar o dinheiro, é necessário pagar taxas, custas ou honorários.

Para tornar a fraude mais convincente, utilizam informações públicas de processos judiciais, nomes e fotos reais de advogados, números verdadeiros da OAB e linguagem técnica. Em alguns casos, recorrem a chamadas de vídeo com pessoas vestidas formalmente ou até a vídeos manipulados com uso de inteligência artificial.

O pagamento solicitado costuma ser feito via Pix ou boleto, quase sempre em nome de terceiros, acompanhado de mensagens que criam sensação de urgência.

Segundo o presidente da OAB-SC, Juliano Mandelli, o estelionatário explora a expectativa da vítima de receber valores do processo. “O primeiro sinal é o pedido de dinheiro, especialmente via Pix. Independentemente do valor, é fundamental confirmar se aquele telefone é realmente do advogado e se a conta indicada pertence ao profissional”, explica.

De acordo com a OAB Nacional, mais de 17 mil pessoas já foram vítimas desse tipo de golpe no Brasil. Em Santa Catarina, a OAB-SC registra centenas de casos de uso indevido de nomes e números de registro profissional.

Casos também em Santa Catarina

A Defensoria Pública do Estado relata aumento na procura por orientação. O defensor público Edson Schmitt afirma que a própria imagem já foi usada por golpistas.

Segundo ele, os criminosos utilizam fotos de advogados ou defensores e entram em contato com a vítima informando que houve decisão favorável no processo e que há valores disponíveis.

Após realizar transferências, muitas pessoas descobrem que o advogado verdadeiro nunca solicitou pagamento. Idosos e pessoas que aguardam aposentadorias, precatórios ou ações trabalhistas estão entre os principais alvos.

Schmitt reforça que os serviços da Defensoria Pública são totalmente gratuitos e não há cobrança antecipada para liberação de valores.

Impactos para profissionais e clientes

O advogado Fabiano Matos da Silva, que atua há 28 anos na área previdenciária, afirma que relatos de tentativas de golpe são frequentes.

Segundo ele, criminosos chegam a realizar chamadas de vídeo se passando por advogados, promotores ou magistrados, criando cenários de urgência para pressionar as vítimas. “O destinatário do Pix ou do boleto é sempre uma pessoa usada como ‘laranja’. Muitas vezes o golpe envolve pedidos de dados bancários e até tentativa de obtenção de senha”, relatou.

Além dos prejuízos financeiros, as fraudes também provocam desgaste na relação de confiança entre advogados e clientes.

O que fazer em caso de golpe

Se a pessoa já realizou pagamento, a orientação é agir rapidamente. O primeiro passo é entrar em contato com o banco e solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix, informando os dados da transação para tentar bloquear o valor.

Também é importante registrar boletim de ocorrência, guardar comprovantes e conversas com o golpista e denunciar perfis falsos nas plataformas utilizadas.

Como se proteger

Especialistas recomendam desconfiar de mensagens que informem sobre liberação de valores mediante pagamento antecipado. Nenhuma transferência deve ser feita sem confirmação pelos canais oficiais do advogado ou da instituição.

A verificação do registro profissional pode ser feita no site da OAB. A entidade também criou a força-tarefa “Contra Golpe”, e a regularidade do advogado pode ser conferida pelo link.

Em caso de dúvida, a recomendação é procurar pessoalmente o escritório ou a Defensoria Pública. Confirmar informações antes de qualquer pagamento é a principal forma de evitar prejuízos.

 

 

 

Da redação

Fonte: Alesc

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