Liderança feminina cresce e marca economia catarinense
O empreendedorismo feminino já ocupa um espaço expressivo na economia de Santa Catarina. Levantamento do Observatório de Negócios do Sebrae/SC, baseado em dados da Receita Federal atualizados em fevereiro de 2026, mostra que 534.981 empresas ativas no Estado estão sob liderança de mulheres. O número representa 35,1% do total de 1.523.588 negócios registrados em território catarinense.
Os dados fazem parte do Painel de Empresas de Santa Catarina, estudo realizado em parceria com o programa Sebrae Delas. O levantamento evidencia que a presença feminina no ambiente empresarial vem se consolidando ao longo dos anos, embora ainda existam obstáculos relacionados à expansão e ao crescimento desses negócios.
Expansão acelerada nos últimos anos
A evolução das empresas comandadas por mulheres revela um movimento de crescimento significativo na última década. Entre 2010 e 2025, o número de novos negócios liderados por empreendedoras avançou de forma consistente, com destaque para o período mais recente.
Entre 2020 e 2025, por exemplo, a expansão aproximada foi de 235,5%. Segundo a análise do Sebrae/SC, esse aumento está relacionado tanto à facilidade de formalização de pequenos negócios quanto às transformações no mercado de trabalho, especialmente na economia de serviços.
Distribuição nas principais cidades
A presença das empreendedoras acompanha a dinâmica econômica das regiões catarinenses, com maior concentração nas cidades mais populosas e economicamente ativas.
Florianópolis lidera o ranking, com 58.655 empresas comandadas por mulheres, o equivalente a 11% do total feminino no Estado. Na sequência aparecem Joinville, com 46.065 negócios (8,6%), Blumenau, com 27.910 (5,2%), Itajaí, com 23.852 (4,5%), e São José, com 22.227 empresas (4,2%).
Apesar das diferenças regionais, a participação feminina varia entre 29,6% e 37,9% nas diferentes localidades, o que demonstra como as características produtivas de cada território influenciam a inserção das mulheres no empreendedorismo formal.
Perfil das empreendedoras e setores de atuação
O levantamento também traça um panorama do perfil das mulheres que lideram empresas no Estado. A maior parcela está na faixa etária entre 45 e 59 anos, que representa 33% do total. Em seguida aparecem as empreendedoras de 35 a 44 anos, com 28,8%, e aquelas entre 25 e 34 anos, que somam 18,9%.
No recorte por setores, os segmentos de serviços e comércio concentram a maior presença feminina. Entre as áreas com maior participação estão a indústria da moda, responsável por 6,4% dos negócios, seguida pelos serviços de beleza (5,6%) e saúde (5,3%).
Entre as atividades econômicas mais comuns aparecem o comércio varejista de vestuário e acessórios, serviços de beleza, promoção de vendas, atividades administrativas, alimentação e confecção. Essas áreas mantêm forte ligação com o consumo local e com cadeias produtivas tradicionais da economia catarinense.
Predomínio de pequenos negócios
Grande parte das empresas lideradas por mulheres está concentrada nos segmentos de menor porte, especialmente entre microempreendedoras individuais (MEIs) e microempresas. A presença feminina tende a diminuir à medida que o porte do negócio aumenta.
De acordo com a gerente regional do Sebrae/SC no Oeste, Marieli Aline Musskopf, esse cenário reflete barreiras históricas enfrentadas pelas empreendedoras.
“A participação feminina diminui conforme o porte aumenta, refletindo barreiras históricas relacionadas ao acesso a capital, redes de relacionamento e oportunidades de expansão”, explica.
Outro fator observado pelo estudo é a predominância de empresas jovens. A maioria dos negócios liderados por mulheres tem até cinco anos de atividade, característica que demonstra renovação constante, mas também maior exposição a desafios típicos do início de uma empresa, como organização financeira, formação de clientela e definição de preços.
Fortalecimento do empreendedorismo feminino
Para o Sebrae/SC, os dados indicam que o empreendedorismo feminino deixou de ser apenas uma tendência e passou a ocupar papel estratégico no desenvolvimento econômico do Estado.
Segundo Marieli Musskopf, o desafio agora está em fortalecer a trajetória desses negócios, especialmente nos primeiros anos de funcionamento. “Os dados mostram que as mulheres têm papel fundamental na economia catarinense, mas também a necessidade de fortalecer a trajetória desses negócios, especialmente nos primeiros anos. Intervenções em gestão financeira, precificação, organização de processos e acesso a mercado fazem diferença para garantir sobrevivência e crescimento”, destaca.
A especialista também ressalta que ampliar a produtividade e estimular o crescimento das empresas são etapas fundamentais para consolidar esse movimento. “Quando fortalecemos negócios liderados por mulheres, ampliamos renda, geramos empregos e impactamos diretamente o desenvolvimento regional. O foco é transformar potencial em crescimento sustentável”, afirma.
O levantamento aponta ainda que parcerias entre instituições, universidades, entidades empresariais e órgãos públicos podem ampliar o alcance das iniciativas voltadas ao empreendedorismo feminino. Para o Sebrae/SC, políticas estruturadas e estratégias territoriais são essenciais para garantir que o crescimento das empresas lideradas por mulheres seja acompanhado por mais competitividade e oportunidades de expansão.
Da redação
Fonte: RCN
Para receber notícias, clique AQUI e faça parte do Grupo de WHATS do Imagem da Ilha.
Gostou deste conteúdo? Compartilhe utilizando um dos ícones abaixo!
Pode ser no seu Face, Twitter ou WhatsApp!
Para mais notícias, clique AQUI
Outros posts Ver todos
21° | Nublado


