Partos inesperados reforçam papel do Samu em SC
O crescimento de partos realizados fora do ambiente hospitalar tem colocado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) no centro de situações cada vez mais delicadas em Santa Catarina. Entre janeiro de 2022 e outubro de 2025, as equipes atenderam 3.449 trabalhos de parto em ocorrências terrestres, somando atendimentos feitos por Unidades de Suporte Básico (USB) e Unidades de Suporte Avançado (USA). Somente em 2025, já foram registrados 854 casos, o maior número da série histórica.
Os dados revelam uma rotina marcada por improviso técnico, respostas rápidas e decisões tomadas em poucos minutos, muitas vezes em locais sem estrutura adequada e sob condições adversas. Em quatro anos, os atendimentos se mantiveram em patamar elevado: foram 988 ocorrências em 2022, 835 em 2023, 772 em 2024 e, até outubro deste ano, 854 em 2025.
Emergências que exigem preparo extremo
Um dos atendimentos mais complexos de 2025 ocorreu em Timbó, no dia 5 de setembro, durante um parto gemelar. Após receber alta hospitalar em Blumenau para observação em casa, a gestante Bruna entrou em trabalho de parto durante a madrugada, sob chuva intensa. No caminho de volta ao hospital, o pai, Adriel da Silva, precisou parar no acostamento e acionar o Samu. O primeiro bebê nasceu antes da chegada da equipe. O segundo, em posição pélvica, apresentou complicações graves.
A ocorrência exigiu múltiplas intervenções simultâneas. O recém-nascido precisou ser reanimado após entrar em parada cardiorrespiratória, o primeiro bebê foi estabilizado e a mãe teve uma parada revertida em decorrência de hemorragia. O atendimento envolveu o médico Fabrício Correia, a enfermeira Sofia dos Santos e o condutor socorrista Habinadab Silva. Para a família, o desfecho positivo marcou definitivamente a experiência. “O atendimento foi excepcional”, relatou o pai.
Parto em movimento
Apesar de seguir protocolos específicos, o parto realizado dentro de ambulâncias impõe desafios adicionais. O espaço limitado, o deslocamento do veículo e a possibilidade de evolução rápida do quadro exigem avaliação constante e preparação antecipada. Segundo o enfermeiro Danilo Leite, da USA de Canoinhas, a prioridade inicial é estabilizar a gestante, garantir segurança na maca e monitorar sinais vitais, já prevendo possíveis complicações.
Situações semelhantes têm sido recorrentes. Em 4 de junho, em Urupema, uma gestante entrou em trabalho de parto dentro de um carro da Saúde. O condutor socorrista da USB, Thiago Pires, realizou o parto ainda no local e retirou o cordão umbilical que estava ao redor do pescoço do bebê. A USA encontrou a família na estrada, concluiu os procedimentos e assegurou o transporte seguro ao hospital.
Distribuição dos atendimentos no estado
Do total de partos atendidos entre 2022 e 2025, 1.055 ocorreram com equipes das USAs, que contam com médico, enfermeiro e condutor socorrista. As USBs, formadas por técnico de enfermagem e condutor, responderam por 2.394 atendimentos. Joinville lidera o ranking estadual no período, com 119 ocorrências.
Em 2025, as USAs realizaram 313 atendimentos, um aumento de 18% em relação a 2024, quando foram registrados 236 casos. As USBs contabilizaram 541 atendimentos neste ano, número semelhante ao do ano anterior, que fechou com 536.
As cidades com maior número de partos atendidos pelo Samu em 2025 são Joinville (88), Chapecó (59), Itajaí (44), Jaraguá do Sul (41) e Lages (33). Em seguida aparecem Itapiranga e Guaramirim, com 31 registros cada, além de Blumenau (28), Florianópolis (23), Ponte Serrada (18) e Navegantes (16).
Acolhimento como parte do atendimento
Além da capacitação técnica, o Samu reforça a humanização como eixo central do cuidado. Para a coordenadora operacional da Macrorregião Grande Florianópolis, Adriana Bueno, o acolhimento é parte indissociável do socorro. Segundo ela, o parto começa antes da chegada à maternidade e deve ser conduzido com respeito, segurança e empatia, mesmo em cenários inesperados.
Essa diretriz orienta o trabalho das equipes distribuídas por todo o estado, que atuam em 44 Unidades de Suporte Avançado — incluindo estruturas terrestres, inter-hospitalares e aeromédicas — e em 104 Unidades de Suporte Básico. Em meio a números elevados e ocorrências imprevisíveis, o Samu segue sendo o primeiro amparo para mães e bebês em momentos decisivos.
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Da redação
Fonte: Secom
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