00:00
21° | Nublado

Racismo religioso volta ao centro do debate em SC

Racismo religioso volta ao centro do debate em SC
Lideranças de matriz africana relatam violência e cobram regulamentação das Casas de Santo. (Foto: Bruno Collaço / AGÊNCIA AL)

Publicado em 27/11/2025

Lideranças religiosas de diversas regiões do Estado voltaram a cobrar medidas concretas para garantir a liberdade de culto em Santa Catarina. O debate ocorreu na noite de quarta-feira (26), durante reunião ampliada promovida pelo deputado Marcos José de Abreu, o Marquito (Psol), no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, na Assembleia Legislativa.

Demandas por segurança e reconhecimento

Representantes de terreiros e entidades de matriz africana relataram episódios de violência, perseguições e criminalização de práticas tradicionais. De acordo com a Federação de Umbanda do Estado (Fuca), Santa Catarina possui 3.413 Casas de Santo, mas 90% delas seguem sem regulamentação, situação que contribui para conflitos e judicializações recorrentes.

Para Marquito, dar visibilidade ao tema é essencial diante da continuidade das denúncias. Ele afirmou que seu gabinete tem recebido casos frequentes de racismo religioso e que o assunto já está em diálogo com órgãos do sistema de Justiça e segurança pública. O parlamentar destacou que o objetivo é construir um entendimento coletivo entre lideranças religiosas e instituições de controle para assegurar o direito constitucional à livre fé.

Relatos de violência e intolerância

Durante o encontro, Pai Jaime da Silva, representante da Fuca, reforçou que a ausência de regulamentação deixa terreiros vulneráveis. Ele defendeu a criação de estruturas regionais de proteção e a atualização de normas que reconheçam os espaços religiosos como parte da cultura catarinense.

A ialorixá Mãe Betina, da Tenda Espírita Caminho dos Orixás, de Florianópolis, relatou agressões e pressões sofridas desde 2018. Mesmo cumprindo regras e horários, contou que sua Casa enfrenta constantes tentativas de fechamento e episódios de abuso de autoridade. Para ela, os ataques às religiões de matriz africana são históricos e ultrapassam fronteiras estaduais, refletindo uma violência estrutural que precisa ser enfrentada.

Busca por soluções estruturadas

O deputado Marquito destacou que o racismo religioso, além de crime, se manifesta como uma forma de opressão que tenta silenciar tradições ancestrais. Ele informou que já há conversas em andamento com o Ministério Público, Tribunal de Justiça, Defensoria Pública e Secretaria de Segurança Pública para definir estratégias de proteção.

Segundo o parlamentar, o momento exige articulação social ampla para garantir que as Casas de Santo tenham condições de funcionar com segurança e reconhecimento. O encontro, afirmou, reforça a urgência de respostas institucionais capazes de proteger os povos de terreiro e assegurar a livre manifestação religiosa em Santa Catarina.

 

Leia também:

- TCE cobra reforço imediato na segurança de obras

 

 

Da redação

Fonte: Alesc

Para receber notícias, clique AQUI e faça parte do Grupo de WHATS do Imagem da Ilha.

Gostou deste conteúdo? Compartilhe utilizando um dos ícones abaixo!

Pode ser no seu Face, Twitter ou WhatsApp!

Para mais notícias, clique AQUI

Siga-nos no Google notícias

Google News