Escritora Janaína Ribeiro lança primeiro livro autoral
Novo livro reúne textos marcados pela intensidade lírica, pela delicadeza do sensível e pela força emocional da poesia
E a nossa Personagem da Semana é a escritora e tradutora Janaína Ribeiro, que lançou, na última semana, seu primeiro livro autoral, “Labaredas no Jardim”. A obra reúne poemas escritos em diferentes momentos da vida da autora e funciona como um testemunho de sua evolução artística, atravessando temas como desejo, tempo, vida, morte e transcendência em uma poesia marcada pela intensidade lírica, pela presença corporal e pela delicadeza do sensível.
Antes mesmo de pensar em publicar um livro, Janaína já buscava na escrita uma maneira de compreender o mundo. “Fui uma menina com muita sede de ler e decifrar o mundo”, relembra. Assim que aprendeu a ler, passou a frequentar bibliotecas e livrarias em busca de livros que ampliassem sua percepção da vida. Entre os encontros decisivos daquela adolescência, ela cita a leitura de “Água Viva”, de Clarice Lispector. “Foi como se cada frase traduzisse a minha vida, embora tivesse apenas 13 anos”, conta.
A relação íntima com a palavra também ocupava espaço dentro de casa. Janaína mantinha cadernos onde copiava trechos de livros, letras de músicas, frases e poemas. “Minhas irmãs lembram de mim como alguém que estava sempre no quarto com os seus cadernos”, diz. Na escrita, encontrou companhia e um abrigo para atravessar momentos difíceis. “Toda vez que uma emoção me parece insuportável ou que perco o sentido das coisas ou da vida, as palavras em forma de poema servem como um mapa no caminho de volta para casa.”
Embora a poesia tenha surgido antes do aprendizado de outros idiomas, a experiência com a linguagem ganhou novas dimensões quando começou a estudar inglês e entrou em contato com os sonetos de William Shakespeare. “A sonoridade das palavras que vi nos sonetos dele foi um caminho sem volta para mergulhar nas possibilidades da linguagem”, afirma.
Hoje, trabalhando com projetos multilíngues e gestão de qualidade linguística, Janaína diz carregar para a poesia o mesmo compromisso com precisão e significado. “Tenho um compromisso muito grande com encontrar, entre as muitas formas de dizer algo, aquilo que melhor traduz uma ideia ou transmite uma mensagem. Trago isso para a poesia no meu exercício de traduzir o mundo sensível em palavras.”

Escritora e tradutora catarinense lança “Labaredas no Jardim”, obra que percorre desejo, memória, tempo e transcendência.
Em “Labaredas no Jardim”, desejo, tempo, vida e morte aparecem como temas que atravessam os poemas de maneira orgânica. O desejo surge como “essa chama que movimenta, desperta e transforma”. Já o tempo é tratado como uma inquietação permanente. “Escrever é um exercício constante de negociação com ele”, diz a autora.
Ao revisitar poemas escritos em diferentes fases da vida, Janaína afirma ter percebido permanências e transformações dentro da própria trajetória artística. “É sempre muito interessante ver como alguns temas se repetem, desafios internos já superados, novas perspectivas que se ganhou na vida.”
Para ela, a poesia ocupa justamente o espaço onde a linguagem comum falha. “As palavras do cotidiano nos prendem a jeitos muito específicos de dizer as coisas do mundo”, reflete. “A poesia é uma arte que nasce no lugar onde esse tipo de linguagem falha.” É nesse território que, segundo a autora, a língua ganha maleabilidade e abre espaço para novas possibilidades de sentir e perceber o mundo.
Entre cadernos, leituras e poemas escritos desde a adolescência, Janaína Ribeiro construiu uma relação profunda com as palavras.
Definido por Janaína como um “convite ao silêncio” e ao “contato com o essencial”, o livro propõe uma experiência íntima e sensível ao leitor. “O silêncio nos permite penetrar o momento trazendo magia a esse encontro especial”, afirma. “Precisamos de um olhar apurado, a mente livre e o peito aberto para reconhecermos o caminho até a essência.”
O lançamento da obra, realizado na última semana, na Lagoa da Conceição, também foi pensado como uma celebração coletiva da arte e dos encontros. “Espero que nos sintamos mais alegres e felizes por estarmos vivos e sermos humanos”, resume Janaína. Em “Labaredas no Jardim”, seus poemas parecem nascer exatamente desse lugar: o de quem transforma silêncio, perda, desejo e memória em linguagem capaz de tocar o outro.
Da redação
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