Manifestação amplia pressão contra funerária no João Paulo
Moradores alegam falta de transparência em processos de licenciamento e estudos ambientais
Mesmo sob chuva, centenas de moradores do bairro João Paulo, em Florianópolis, participaram no fim da tarde de segunda-feira (25) de uma manifestação contra a instalação de uma funerária na Rodovia João Paulo. O protesto aconteceu em frente ao imóvel onde a empresa pretende implantar serviços funerários completos, incluindo capelas mortuárias, preparação de corpos e cremação.
Durante cerca de duas horas, os manifestantes ocuparam a região com faixas, cartazes, carro de som, apitos e panfletagem, além de promoverem bloqueios parciais no trânsito da rodovia. A mobilização também ampliou o número de assinaturas no abaixo-assinado organizado pela comunidade, enquanto a petição online segue recebendo adesões.
Os moradores questionam principalmente a instalação da estrutura sobre uma passagem de água que corta o terreno e a construção de uma fossa próxima a um poço artesanal utilizado na região. A comunidade teme impactos ambientais, sanitários e urbanísticos, especialmente pela proximidade com áreas residenciais, praia e locais utilizados por pescadores artesanais.
Outro ponto levantado pelos manifestantes é a ausência de placa com identificação de responsável técnico, ART ou RRT visíveis na obra, exigências previstas na legislação federal para esse tipo de construção.
“Estamos falando de impactos que vão além da obra em si. Existe preocupação com meio ambiente, trânsito, qualidade de vida e com os efeitos permanentes que isso pode causar em uma área residencial”, afirmou Luiz Azevedo durante o protesto.
Faixas, cartazes, apitos e carro de som marcaram o protesto realizado no João Paulo contra a implantação de uma funerária na região.
Os moradores também demonstram preocupação com o aumento do fluxo de veículos e cortejos em uma região que já enfrenta dificuldades constantes de mobilidade. A Rodovia João Paulo costuma ser utilizada como rota alternativa em situações de congestionamento na SC-401 e no Morro das Madeireiras, cenário que, segundo a comunidade, agravaria ainda mais os problemas no bairro.
A mobilização ganhou força nas últimas semanas nas redes sociais e já motivou denúncias encaminhadas ao Ministério Público, CREA-SC, CAU/SC, Vigilância Sanitária e órgãos municipais. Representantes do movimento também vêm realizando reuniões com vereadores e deputados estaduais para discutir o caso.
Um dos participantes da manifestação destacou que, apesar do mau tempo, a adesão da comunidade foi considerada positiva e novas ações devem ser discutidas nos próximos dias. Segundo ele, a mobilização reuniu grande participação popular e o grupo aguarda respostas das medidas encaminhadas junto ao poder público, especialmente após reunião realizada com o presidente da Câmara Municipal.
“Mesmo com chuva, as pessoas permaneceram mobilizadas porque entendem a gravidade da situação. A comunidade está organizada e continuará realizando manifestações e ações públicas até que todos os esclarecimentos sejam apresentados”, afirmou Aparecida Rocha, integrante da mobilização.
Os moradores cobram transparência sobre os processos de licenciamento, estudos ambientais, gerenciamento de resíduos biológicos e a existência de eventual Estudo de Impacto de Vizinhança relacionado ao empreendimento.
Acompanhe os primeiros registros da manifestação.
Da redação
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