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Projeto Ibátan reconecta famílias negras às raízes africanas
Plataforma reúne registros de 1714 a 1900 para reconstruir trajetórias apagadas

Projeto Ibátan reconecta famílias negras às raízes africanas
Iniciativa reúne documentos, estudos e conteúdos que fortalecem identidades e orientam políticas públicas em SC. (Foto: Bruno Collaço / AGÊNCIA AL)

Publicado em 24/11/2025

Facilitar a pesquisa sobre a ancestralidade da população negra de Florianópolis e região é a proposta do projeto Ibátan afro-catarinense, sobre a genealogia das famílias ou indivíduos de origem africana.

O projeto foi desenvolvido pelo pesquisador e historiador Fábio Garcia, que criou um banco de dados disponibilizado pelo site. A coleta e organização de registros de dados dispersos encontrados em livros de batismo, casamento e óbitos, no período de 1714 a 1900, visa conectar pessoas com suas histórias, familiares e antepassados africanos.

O portal reúne documentos, estudos e conteúdos de interesse da população negra e pretende servir de base para a implantação de políticas públicas em diversas áreas. O projeto também rendeu uma exposição na Assembleia Legislativa, que marcou, desde o dia 4, a celebração do Mês da Consciência Negra.

Ibátan é uma palavra da língua Iorubá que significa “parentesco”, e simboliza a conexão profunda e a ancestralidade que o projeto busca resgatar e valorizar, combatendo narrativas históricas que invisibilizam a contribuição afro-descendente no estado. “A proposta é oferecer viagem pelas memórias, trajetórias e identidades negras que compõem o tecido social da população”, explica Fábio Garcia. O trabalho tem respaldo do Instituto de Genealogia de Santa Catarina.

Com apoio do Ibátan, Iracema da Rosa, 51 anos, descobriu que é bisneta do maestro, musicista e escritor João Rosa Júnior. Ela se sentiu orgulhosa pela origem revelada na pesquisa. Fábio reforça que a proposta é ampliar a importância da comunidade negra, muitas vezes projetada apenas por figuras como as do poeta Cruz e Sousa e da professora e deputada Antonieta de Barros.

“Muitos jovens negros hoje sabem no máximo os nomes de seus avós. Queremos revelar biografias, trajetórias individuais e coletivas”, explica o pesquisador. Ele cita como exemplo a figura da negra Benvinda, que na virada do século 19 para o século 20 costumava circular em Florianópolis com uma bandeja de doces durante a semana, e a partir das sextas feiras exercia a função de benzedeira. “É exemplo de figuras icônicas da nossa cultura”.

Importância da População Negra

O Dia Nacional da Consciência Negra foi instituído pela Lei nº 14.759/2023. A data busca promover a reflexão sobre a importância da população negra na sociedade e o combate ao racismo.

O dia é referência à data da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Ele foi o último líder do Quilombo dos Palmares, localizado em área atual do município de União dos Palmares, em Alagoas.

O quilombo era uma organização recorrente de negros fugitivos de fazendas que se utilizavam de mão de obra escrava, que marcou a nossa colonização. Segundo o historiador Laurentino Gomes, autor da trilogia “Escravidão”, o Brasil foi o maior território escravocrata do hemisfério ocidental. Recebeu 5 milhões de cativos africanos, 40% do total de 12,5 milhões de embarcados para a América ao longo de três séculos e meio de tráfico humano a partir da África.

História de Resistência

O Quilombo dos Palmares resistiu a 40 anos de incursões dos que tentaram em dezenas de investidas para dar fim a um resistente reduto de escravos fugitivos localizado na Serra da Barriga.

A comunidade reuniu outros fugitivos além de escravos. No início do século 17, Palmares seria uma confederação de 18 mocambos espalhados desde a região do Cabo de Santo Agostinho, ao sul do Recife, até a divisa de Alagoas com a Bahia.

Havia um complexo sistema de organização de defesas, organização de atividades e culturas de subsistência. As tradições africanas se refletiam com batuques e danças ao som de tambores, que podiam ser ouvidos a grandes distâncias.

Zumbi, último líder da resistência, foi capturado após uma feroz campanha financiada pelo império colonial que mobilizou 6 mil homens e impôs um cerco ao quilombo por três anos. Sua cabeça decepada e salgada foi exposta num poste no Pátio do Carmo, em Recife, para atemorizar negros que o consideravam imortal.

Lei Federal Instituiu o Feriado

A partir de 1970, movimentos negros começaram a estabelecer analogias entre a história de Zumbi com a de Tiradentes, como mártires da libertação dos brasileiros. Em 2011, a Lei Federal 12.519 criou o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Em 2017, um projeto propôs que a data fosse transformada em feriado nacional, foi aprovado no Senado em 2021, e na Câmara dos Deputados em 2023, sendo então sancionado pelo Executivo.

 

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Da redação

Fonte: Alesc

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