Brincadeiras africanas ganham versão acessível em SC
As bibliotecas municipais de Florianópolis, Antônio Carlos e Tijucas recebem, a partir de 2 de julho, o projeto Encontros Brincantes. A iniciativa promove oficinas gratuitas com jogos de origem africana adaptados para pessoas com deficiência visual, criando espaços de aprendizagem, convivência e acessibilidade por meio do brincar.
Jogos africanos como ferramenta de inclusão
Durante as atividades, os participantes terão contato com jogos como Achi, Yoté, Gulugufe, Shisima e Tsoro Yematatu. As práticas estimulam estratégia, concentração, raciocínio lógico, memória, percepção espacial e interação coletiva. Adaptados para diferentes formas de percepção, os jogos podem ser vivenciados pelo toque, pela escuta, pela memória e pela troca entre os participantes.
Mais do que ensinar regras, o projeto propõe uma experiência inclusiva. Com mediadores com e sem deficiência visual, as oficinas demonstram que o brincar também pode ser uma ferramenta de acesso à cultura, ao conhecimento e à convivência entre pessoas com e sem deficiência.
“A acessibilidade precisa estar presente também nos momentos de cultura, lazer e aprendizagem. Nos jogos africanos adaptados, a criança ou o participante com deficiência visual joga usando seus sentidos na troca com o outro. Isso transforma a biblioteca em um espaço realmente inclusivo, onde diferentes pessoas aprendem juntas”, destaca a produtora e consultora de acessibilidade Ana Santiago, uma das idealizadoras do projeto.
Tradições africanas preservadas nos tabuleiros
Os jogos que integram o Encontros Brincantes fazem parte de tradições africanas transmitidas por gerações por meio da oralidade e da prática coletiva. Muitos nasceram em contextos comunitários e eram jogados com sementes, pedras, gravetos ou objetos do cotidiano, refletindo a ancestralidade e os modos de organização de diferentes povos.
O Yoté é associado a países da África Ocidental, especialmente ao Senegal, enquanto o Achi é reconhecido como um tradicional jogo de estratégia de Gana. Ao levar essas referências para as bibliotecas, o projeto aproxima o público de histórias, saberes e formas de pensamento que atravessam gerações.
Inclusão além das oficinas
“Quando adaptamos jogos para pessoas com deficiência visual, não estamos apenas tornando uma atividade possível. Estamos dizendo que todos têm o direito de brincar, aprender e participar. A inclusão acontece quando o espaço, o jogo e a experiência são pensados para acolher diferentes formas de perceber o mundo”, afirma Ana.
Ao final das oficinas, as bibliotecas receberão kits com dois tabuleiros de cada jogo e um guia com orientações de mediação acessível. A proposta é ampliar o impacto da iniciativa, permitindo que os materiais continuem sendo utilizados em ações educativas e atividades comunitárias.
Programação gratuita
O projeto contará com seis oficinas gratuitas distribuídas entre os três municípios. As atividades são abertas a todos os públicos e integram uma proposta de democratização do acesso à cultura, valorização da diversidade e fortalecimento de práticas inclusivas em espaços públicos.
Da redação
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