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Golpe jurídico cresce com falsas indenizações

Golpe jurídico cresce com falsas indenizações
Criminosos utilizam fotos, documentos falsos e até números reais de processos para convencer vítimas. (Foto: Freepik)

Publicado em 20/05/2026

Criminosos têm utilizado nomes, fotos e até documentos falsificados para enganar clientes de escritórios de advocacia em golpes envolvendo falsas liberações de valores judiciais. O alerta foi feito pelo advogado Leonardo Fornari, sócio do escritório Máximo Fornari Advogados, que relata o crescimento desse tipo de fraude e a dificuldade em impedir que ela aconteça. Segundo ele, o escritório já precisou orientar clientes após tentativas reais de fraude utilizando identidade visual e dados processuais verdadeiros.

Segundo Fornari, o golpe funciona por meio de engenharia social combinada com falsificação digital. Os criminosos entram em contato com as vítimas pelo WhatsApp usando números desconhecidos, mas se passam por advogados reais. Para tornar a fraude mais convincente, utilizam fotos dos profissionais, logomarcas dos escritórios e linguagem jurídica formal.

“É um tipo de golpe extremamente frustrante para o escritório, porque atualmente não há como impedir totalmente que ele aconteça. O que podemos fazer é atuar preventivamente e orientar constantemente os clientes”, explica Leonardo Fornari.

Como funciona o golpe

De acordo com o advogado, os criminosos informam ao cliente que houve uma suposta vitória judicial envolvendo indenização, precatório, revisão previdenciária ou liberação de alvará. Para convencer a vítima, citam o número verdadeiro do processo e apresentam documentos falsificados produzidos com auxílio de inteligência artificial, incluindo sentenças e comprovantes supostamente oficiais.

Após isso, os golpistas alegam que é necessário pagar uma taxa para liberar o valor. Entre as justificativas apresentadas estão emolumentos cartorários, impostos retidos ou custas processuais de última hora.

Os pagamentos costumam ser exigidos por PIX ou boleto em nome de terceiros. Segundo Fornari, os criminosos pressionam a vítima com mensagens urgentes, afirmando que o dinheiro poderá retornar aos cofres públicos caso o pagamento não seja realizado rapidamente.

O advogado relata ainda que há casos mais sofisticados, em que clientes chegaram a participar de falsas audiências por vídeo. Nessas situações, uma pessoa caracterizada como juiz simula o ato judicial e menciona nomes reais do advogado e das partes envolvidas para reforçar a aparência de legitimidade.

Escolha das vítimas

Segundo Leonardo Fornari, os golpistas não agem de forma aleatória. Eles monitoram informações públicas disponíveis em diários oficiais e plataformas de consulta processual para identificar processos em fase favorável ou de execução.

A partir disso, coletam dados como nome do cliente, CPF, número do processo, valores envolvidos, além do nome do advogado e do escritório. Depois, cruzam essas informações com vazamentos de dados disponíveis na internet para localizar o telefone da vítima.

“Quando abordam o cliente, eles possuem tantas informações reais do processo que a pessoa acaba não desconfiando”, alerta.

Orientações para evitar fraudes

O advogado reforça que nem o Poder Judiciário nem escritórios de advocacia solicitam pagamentos antecipados via PIX para liberar indenizações, alvarás ou valores judiciais.

A recomendação é que clientes desconfiem de mensagens enviadas por números desconhecidos, mesmo que utilizem fotos reais de advogados. Em caso de dúvida, a orientação é interromper a conversa e entrar em contato diretamente com os canais oficiais já conhecidos do escritório.

Outro sinal de alerta é quando a chave PIX ou boleto aparece em nome de pessoas físicas desconhecidas ou empresas sem relação com o processo.

O escritório afirma que passou a reforçar protocolos internos de comunicação, incluindo alertas preventivos periódicos aos clientes e confirmação de informações exclusivamente pelos canais oficiais.

Para os escritórios, Leonardo Fornari destaca a importância de reforçar avisos frequentes aos clientes, informar quais são os canais oficiais de atendimento e evitar qualquer solicitação de transferências urgentes por aplicativos de mensagens.

“Hoje, desconfiar passou a fazer parte da segurança digital. Antes de qualquer pagamento relacionado a processo judicial, o ideal é confirmar diretamente com o advogado pelos canais já conhecidos”, finaliza Fornari.

 

 

Da redação

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