Hantavirose em SC termina com recuperação completa
Uma moradora da área rural de Seara, no Oeste de Santa Catarina, recebeu alta hospitalar após passar 16 dias internada para tratamento de hantavirose. A paciente, de 60 anos, precisou ser transferida para uma UTI em Concórdia durante o período de atendimento, mas apresentou recuperação completa, segundo informações das autoridades de saúde do município.
O caso aconteceu em fevereiro e, conforme a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive), não possui qualquer relação com o foco da doença identificado recentemente em um cruzeiro internacional. A confirmação foi reforçada pela Vigilância Sanitária de Seara, que destacou que a linhagem encontrada no Estado é diferente da associada ao surto investigado no navio.
De acordo com a coordenadora de arboviroses e fiscal de Vigilância Sanitária de Seara, Cintia Mara Schwartz, a paciente não havia realizado viagens antes do diagnóstico e nenhum familiar apresentou sintomas compatíveis com a doença. Após o tratamento intensivo e a realização de todos os exames necessários, o caso foi encerrado.
Investigação na propriedade
Depois da confirmação da hantavirose, equipes das Vigilâncias Epidemiológica e Sanitária realizaram uma investigação na propriedade onde a mulher mora para identificar possíveis focos de contaminação.
Segundo a coordenadora, também foram feitas orientações preventivas e acompanhamento da paciente pela atenção básica do município, incluindo monitoramento de exames durante a recuperação.
Na última terça-feira (12), agentes de saúde de Seara receberam orientações sobre sintomas e protocolos relacionados à doença. A recomendação é que moradores procurem atendimento médico ao perceber sinais suspeitos para que o tratamento seja iniciado rapidamente.
Cintia também ressaltou que registros de hantavirose ocorrem todos os anos em Santa Catarina, principalmente em áreas rurais, onde há maior exposição a roedores silvestres. Em Seara, foi registrado um caso em 2025 e nenhum em 2024.
Casos em Santa Catarina
Entre 2020 e 2026, o Estado contabilizou 92 confirmações de hantavirose. Os números mais recentes apontam:
26 casos em 2023;
11 casos em 2024;
15 casos em 2025;
um caso confirmado em 2026 até o momento.
A doença voltou a chamar atenção internacional após a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmar um foco de hantavírus no navio MV Hondius, que saiu de Ushuaia, na Argentina, em direção a Cape Verde, transportando passageiros e tripulantes de diferentes nacionalidades.
Exames laboratoriais identificaram a cepa andina do vírus, considerada a única variante conhecida com possibilidade de transmissão entre pessoas. Especialistas, porém, apontam que esse tipo de contágio é raro e normalmente está associado a contato próximo e prolongado.
O que é a hantavirose
A hantavirose é uma infecção aguda causada por vírus do gênero Orthohantavirus. A transmissão acontece, principalmente, pela inalação de partículas presentes na urina, saliva e fezes de roedores silvestres contaminados.
O infectologista Fábio Gaudenzi, superintendente de Vigilância em Saúde estadual, explica que os casos costumam ocorrer em ambientes rurais, galpões, depósitos, paióis, lavouras e locais fechados por longos períodos, especialmente onde há sinais da presença de ratos silvestres.
Entre os grupos mais expostos estão trabalhadores rurais, pessoas que realizam limpeza de espaços fechados e indivíduos que frequentam ambientes naturais.
Sintomas e prevenção
Os sintomas iniciais incluem febre, dores no corpo, dor de cabeça, mal-estar, náuseas e dor abdominal. Em quadros mais graves, a doença pode evoluir rapidamente para comprometimento pulmonar e insuficiência respiratória.
A Secretaria de Estado da Saúde informou que mantém monitoramento permanente de casos suspeitos em Santa Catarina. As amostras coletadas são encaminhadas ao Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina) para confirmação do diagnóstico.
As autoridades de saúde orientam algumas medidas para reduzir o risco de contaminação:
evitar contato com locais com sinais de roedores;
manter ambientes limpos e ventilados;
evitar acúmulo de lixo e restos de alimentos;
armazenar grãos e rações em recipientes fechados;
abrir portas e janelas antes da limpeza de locais fechados;
não varrer fezes ou urina de roedores a seco;
utilizar água sanitária diluída para umedecer o ambiente antes da limpeza;
usar luvas e máscaras em áreas com risco de contaminação.
Da redação
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