Mulheres ganham menos em SC mesmo com avanço
A presença feminina no mercado de trabalho formal em Santa Catarina já se aproxima da metade dos vínculos em grandes empresas, mas a diferença salarial entre homens e mulheres ainda marca o cenário. Dados divulgados pelo governo federal mostram que, apesar do avanço na inclusão, a desigualdade de rendimentos permanece como um desafio.
De acordo com o Painel do Relatório de Transparência Salarial, o estado contabilizava, em dezembro de 2025, 2.923 estabelecimentos com 100 ou mais empregados. Juntas, essas empresas concentravam 996,8 mil vínculos formais, dos quais 444,3 mil eram ocupados por mulheres, o equivalente a 44,5% do total. Entre elas, 145,4 mil eram mulheres negras e 298,8 mil não negras. Já os homens somavam 552,5 mil trabalhadores nessas empresas.
Diferença salarial persiste
Mesmo com participação expressiva, as mulheres seguem recebendo menos. Em Santa Catarina, a remuneração média feminina nesse grupo de empresas foi de R$ 3.408,96, enquanto a masculina chegou a R$ 4.724,02, uma diferença de 27,8%. O recorte por raça evidencia desigualdades ainda maiores: mulheres negras receberam, em média, R$ 2.653,75, abaixo das mulheres não negras, com R$ 3.787,67. Entre os homens, os rendimentos médios foram de R$ 3.588,67 para negros e R$ 5.284,73 para não negros.
No cenário nacional, a disparidade também aparece. Em 2025, mulheres ganharam, em média, 21,3% a menos que os homens em empresas de grande porte, índice superior ao registrado dois anos antes. Já no momento da contratação, a diferença salarial foi de 14,3%.
Crescimento do emprego feminino
O relatório aponta que o mercado formal brasileiro apresentou expansão recente, com aumento da participação das mulheres. O destaque vai para a contratação de mulheres negras, que cresceu de forma mais acelerada entre 2023 e 2025. Nesse período, mais de 1 milhão de mulheres pretas e pardas passaram a ocupar vagas formais em grandes empresas no país.
Políticas e incentivos
Em Santa Catarina, parte das empresas já adota iniciativas voltadas à inclusão feminina, embora ainda em proporção limitada. Cerca de 22,8% dos estabelecimentos possuem políticas de incentivo à contratação de mulheres. Entre as ações, estão programas voltados a mulheres com deficiência, negras, LGBTQIAP+ e vítimas de violência doméstica.
Desafios além do salário
Para o governo federal, a desigualdade vai além dos números de remuneração. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que a discussão envolve também condições de trabalho, direitos e o acesso a oportunidades. Segundo ela, fatores culturais e estruturais ainda influenciam a posição das mulheres no mercado.
Na mesma linha, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, reforçou que a equiparação salarial precisa caminhar junto com o avanço das mulheres nas carreiras. A presença em cargos de liderança e a possibilidade de crescimento profissional são apontadas como etapas fundamentais nesse processo.
Impacto econômico e avanços
O levantamento também indica que reduzir a desigualdade salarial teria impacto direto na economia. Caso os rendimentos das mulheres acompanhassem sua participação no mercado formal, haveria um aumento significativo na massa de renda do país.
Apesar das diferenças persistentes, o relatório registra avanços na presença feminina em cargos de chefia e no número de empresas que adotam políticas de promoção e permanência das mulheres no trabalho. O crescimento desses indicadores sinaliza mudanças graduais, ainda que o caminho para a igualdade plena permaneça em construção.
Da redação
Fonte: Governo Federal
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