Plataforma brasileira mapeia mulheres na música
O projeto “O Palco que Nos Deve: Mulheres e a conquista do espaço na Música Instrumental” apresenta uma nova plataforma digital e uma pesquisa voltada a mapear e ampliar a visibilidade da presença feminina na música popular instrumental brasileira. A iniciativa combina dados, entrevistas e análise de festivais para evidenciar desigualdades históricas no setor.
Apesar do reconhecimento internacional da música instrumental brasileira pela diversidade e inovação, a presença de mulheres nos palcos ainda é reduzida, especialmente em festivais. É nesse contexto que o projeto busca reunir informações e dar visibilidade a artistas que atuam na cena.
Pesquisa e plataforma digital
Desenvolvido por pesquisadoras catarinenses, o trabalho reúne dados quantitativos e qualitativos sobre a participação feminina no segmento, além de entrevistas com 12 musicistas de diferentes regiões do país e gerações. Também faz análise de line-ups de festivais e produz conteúdos audiovisuais, com um relatório final dos resultados.
Entre os nomes entrevistados estão a flautista e compositora Léa Freire, referência da música instrumental brasileira desde os anos 1960, e artistas contemporâneas como a violonista Camila Alves, do Pará, e a percussionista brasiliense Larissa Umaytá, que atuam em diferentes vertentes da música popular brasileira.
Vozes do projeto
Para as pesquisadoras envolvidas, o levantamento vai além dos números. A proposta também busca revelar as estruturas que mantêm a desigualdade e destacar trajetórias femininas na música. “Conhecer a trajetória de tantas artistas e suas conquistas tem sido muito marcante”, afirma Caroline Cantelli, pesquisadora e coordenadora de comunicação do projeto.
Já Valentina Bravo, idealizadora da pesquisa, destaca que os dados reforçam a baixa valorização de mulheres em posições de criação e liderança no setor musical, além de evidenciar barreiras estruturais ainda presentes.
Impacto e divulgação
Com execução entre junho de 2025 e maio de 2026, a pesquisa cruza dados de festivais brasileiros com relatos de artistas, formando um panorama sobre a participação feminina na música instrumental.
As entrevistas são disponibilizadas nas redes sociais do projeto, ampliando o acesso ao conteúdo e às histórias das musicistas. A iniciativa também busca contribuir para a transformação do cenário musical ao propor novos olhares sobre quem ocupa os palcos.
“O Palco que Nos Deve” foi contemplado pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura – Edição 2025, da Fundação Catarinense de Cultura (FCC).
Da redação
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