00:00
21° | Nublado

TCE vê atraso em ações contra desastres naturais em SC

TCE vê atraso em ações contra desastres naturais em SC
O Tribunal de Contas de Santa Catarina apontou que o Estado ampliou os investimentos em prevenção de desastres naturais, mas ainda enfrenta dificuldades para executar integralmente os recursos previstos. (Foto: Divulgação)

Publicado em 15/06/2026

O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) apontou que o Estado ainda não consegue executar integralmente os recursos previstos para ações de prevenção e mitigação de desastres naturais, apesar do aumento dos investimentos registrados nos últimos anos. Em 2025, foram aplicados R$ 108,4 milhões do Programa 730 – Gestão de Riscos, o equivalente a 52,37% dos R$ 207,1 milhões previstos no orçamento da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil (SDC) e do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil (Fundpec).

A avaliação faz parte do processo de acompanhamento da execução orçamentária da política estadual de proteção e defesa civil. Para o conselheiro José Nei Alberton Ascari, relator da matéria, embora os números representem o maior volume de recursos executados na última década, ainda existe distância entre o planejamento orçamentário e a efetiva implementação das ações previstas.

Maior investimento da década

O montante aplicado em 2025 foi mais de três vezes superior ao registrado em 2024, quando a execução ficou pouco acima de R$ 30 milhões. O avanço também foi destacado pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Contas (MPTC/SC), que apontou esforço do governo estadual para ampliar investimentos em prevenção e resposta a desastres.

Mesmo assim, o TCE/SC identificou dificuldades na execução de projetos mais complexos, especialmente nas áreas de infraestrutura hidráulica e ações regionalizadas de prevenção. Segundo a análise técnica, fatores como maturidade dos projetos, planejamento executivo, capacidade operacional, governança contratual e implementação das iniciativas podem estar entre os entraves.

Diante desse cenário, a Primeira Câmara do Tribunal decidiu comunicar os resultados à Assembleia Legislativa, ao Ministério Público de Santa Catarina e ao Conselho Estadual de Proteção e Defesa Civil. Também determinou o acompanhamento da execução orçamentária ao longo do segundo quadrimestre de 2026.

Obras estratégicas seguem sem execução

Entre os pontos que chamaram atenção está a subação "Prevenção e preparação para a redução de riscos e adaptação climática", que possui a maior dotação do programa, mas registrou execução de apenas 24,25% em 2025.

Além disso, projetos considerados estratégicos para reduzir riscos de enchentes e inundações não tiveram despesas executadas em 2024 e 2025. É o caso das ações de construção e ampliação de barragens, derrocamento do Rio Itajaí-Açu, construção do canal extravasor de Salto Pilão, em Lontras, e desassoreamento de rios do Alto Vale do Itajaí.

Segundo o relator, são intervenções de elevada relevância para regiões historicamente afetadas por eventos hidrológicos, mas que envolvem alta complexidade técnica, ambiental e operacional.

Avanços em monitoramento e obras preventivas

Por outro lado, algumas iniciativas apresentaram desempenho expressivo em 2025. Entre elas estão os projetos e obras preventivas em defesa civil, com execução de 80,14%, e as transferências para ações de Proteção e Defesa Civil do programa SC Levada a Sério, que alcançaram 99,32%.

Também tiveram resultados positivos as ações de estudos e projetos para gestão de riscos e desastres (95,92%) e de operação e manutenção de barragens (73,49%).

Outro destaque foi a ampliação e modernização da rede de monitoramento e alerta. A subação, que não havia registrado execução em 2024, atingiu 75,65% em 2025, com investimentos superiores a R$ 14,2 milhões.

Execução cresce em 2026, mas segue abaixo do esperado

Nos primeiros quatro meses de 2026, o Programa 730 teve orçamento atualizado de R$ 245,3 milhões. Desse total, foram executados R$ 39,8 milhões, o que corresponde a 16,26%.

O percentual supera o registrado no mesmo período de 2025, quando a execução era de 12,76%, mas ainda está abaixo do parâmetro linear esperado para o quadrimestre, que seria de aproximadamente 33% do orçamento anual.

A Diretoria de Contas de Gestão observou, porém, que programas de prevenção de desastres possuem características que dificultam uma execução uniforme ao longo do ano, devido à dependência de projetos executivos, licenciamento ambiental, desapropriações, processos licitatórios e condições climáticas.

Fiscalização poderá ser ampliada

A decisão do TCE/SC também prevê que a Diretoria-Geral de Controle Externo avalie a inclusão da estrutura administrativa e da gestão de pessoal da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil na programação de futuras fiscalizações.

A medida foi sugerida pelo Ministério Público de Contas após relatos de possíveis fragilidades no quadro de servidores e na gestão de recursos humanos da pasta, fatores que podem comprometer a execução das políticas públicas do setor.

Acompanhamento contínuo

O Tribunal acompanha a execução das políticas de defesa civil nos últimos anos por meio de processos específicos de fiscalização. Em 2024, a execução orçamentária do Programa 730 havia alcançado 43,69%.

Para o conselheiro José Nei Ascari, os recursos destinados à gestão de riscos têm caráter preventivo e estratégico, sendo fundamentais para reduzir vulnerabilidades territoriais e minimizar impactos sociais, econômicos e ambientais causados por desastres naturais.

Durante a análise, os conselheiros também ressaltaram que o papel do Tribunal é acompanhar a adequação do orçamento, verificar a execução dos recursos e avaliar os resultados alcançados, contribuindo para o aperfeiçoamento das políticas públicas em um cenário de eventos climáticos cada vez mais frequentes em Santa Catarina.

 

 

Da redação

Fonte: TCE/SC

Para receber notícias, clique AQUI e faça parte do Grupo de WHATS do Imagem da Ilha.

Gostou deste conteúdo? Compartilhe utilizando um dos ícones abaixo!

Pode ser no seu Face, Twitter ou WhatsApp!

Para mais notícias, clique AQUI

Siga-nos no Google notícias

Google News