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Espécie exótica coloca Ratones sob observação
Capturas e análises laboratoriais ajudam a avaliar a dispersão da espécie e seus possíveis efeitos ambientais

Espécie exótica coloca Ratones sob observação
A presença da rã-touro em Florianópolis está sendo acompanhada por uma força-tarefa formada por órgãos ambientais e instituições de pesquisa. (Foto: Felipe Szterling/PMF)

Publicado em 06/06/2026

A presença da rã-touro, espécie exótica invasora originária da América do Norte, está sendo acompanhada em Florianópolis por meio de um trabalho conjunto que reúne órgãos ambientais e instituições de pesquisa. As ações incluem mapeamento, monitoramento e atividades de educação ambiental voltadas à comunidade, especialmente no bairro Ratones, onde ocorreu o primeiro registro oficial do animal no município.

A iniciativa é conduzida pela Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), com apoio da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Monitoramento após identificação da espécie

A ocorrência da rã-touro (Aquarana catesbeiana) foi confirmada em Florianópolis em outubro de 2025, a partir de informações recebidas por meio da Ciência Cidadã. Desde então, equipes técnicas passaram a atuar para identificar a extensão da presença da espécie e acompanhar possíveis impactos ambientais.

Segundo a Floram, a estratégia adotada prioriza a detecção precoce e a resposta rápida, permitindo que as instituições envolvidas avaliem a situação e definam medidas adequadas para o controle da espécie.

A bióloga da Floram, Priscilla Tamioso, explica que, após a confirmação do primeiro registro, foram iniciadas ações de campo para localizar áreas de ocorrência, monitorar os animais e realizar capturas preventivas com o objetivo de evitar a expansão da espécie e minimizar impactos sobre a fauna nativa.

Capturas e análises

Até agora, duas operações de campo foram realizadas em Ratones. Ao todo, 11 exemplares foram capturados, sendo dez em novembro de 2025, entre juvenis e adultos, e um em março de 2026.

A presença da rã-touro já foi confirmada em três propriedades da região. Além disso, relatos de moradores indicam que o animal pode estar presente no bairro há mais tempo, o que reforça a necessidade de um levantamento detalhado.

Os espécimes recolhidos foram encaminhados ao Laboratório de Herpetologia da UFSC, onde passam por análises laboratoriais, incluindo testes para detectar a presença de ranavírus e quitridiomicose.

Espécie exige atenção ambiental

Introduzida no Brasil em 1935 para criação comercial em ranários e produção de carne, a rã-touro acabou chegando a ambientes naturais após o fechamento de diversos criadouros ao longo das décadas, por meio de fugas ou solturas.

Considerada uma espécie generalista, ela possui alimentação diversificada, consumindo peixes, anfíbios, répteis e pequenos mamíferos. Também apresenta elevada capacidade reprodutiva. Em outras regiões onde foi introduzida, esteve associada à disseminação de patógenos que afetam anfíbios e peixes. Esses agentes, porém, não representam risco para seres humanos nem para animais domésticos.

Em Santa Catarina, a espécie integra a Categoria 1 da Resolução CONSEMA nº 272/2025, que estabelece a lista oficial da fauna exótica invasora no estado e orienta as ações de manejo.

Comunidade é chamada a participar

Além do monitoramento, o plano de ação prevê atividades de educação ambiental desenvolvidas pela Floram em parceria com a UFSC. A proposta é envolver moradores, estudantes e instituições locais no processo de identificação e mapeamento da espécie.

A população é incentivada a informar locais onde a rã-touro tenha sido vista ou onde tenha sido ouvido seu som característico, descrito como uma vocalização grave semelhante ao mugido de um boi, característica que inspirou seu nome popular.

Para apoiar as oficinas educativas, a Floram também promove uma campanha de arrecadação de rolinhos de papel higiênico. As doações podem ser entregues no Parque Ecológico do Córrego Grande.

Em caso de avistamento ou identificação do som da espécie, a orientação é não tentar capturar ou manusear o animal. As ocorrências devem ser comunicadas à Floram/DEPUC pelo e-mail fdepuc.floram@gmail.com ou pelo WhatsApp (48) 3237-5660.

 

 

Da redação

Fonte: PMF

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