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Pablo Rossi une excelência e transformação social
Após estrear na Filarmônica de Berlim, o pianista amplia projetos para democratizar o acesso à música de concerto

Pablo Rossi une excelência e transformação social
O pianista faz questão de manter vivas, em sua trajetória, as referências às raízes catarinenses e aos locais que marcaram sua formação. (Fotos: Rudi Bodanese)

Publicado em 14/07/2026

Reconhecido internacionalmente por uma trajetória marcada por premiações, apresentações em alguns dos principais palcos do mundo e uma indicação ao Grammy Latino, o nosso Personagem da Semana, o pianista Pablo Rossi afirma que seu maior objetivo vai além das conquistas individuais. À frente da Orquestra Filarmônica Catarinense (OFiC), da qual é fundador e diretor artístico, ele busca consolidar um modelo que combine excelência artística, inovação e transformação social.

Vencedor do 1º Concurso Nacional Nelson Freire para Novos Talentos Brasileiros, Rossi acumula mais de dez prêmios nacionais e internacionais desde a infância, além de elogios de publicações como a BBC Music Magazine e a revista francesa Classica. Em 2025, alcançou um dos momentos mais marcantes da carreira ao estrear como solista na Großer Saal da Filarmônica de Berlim, interpretando o Concerto para Piano nº 1, de Franz Liszt, com a Sinfonie Orchester Berlin.

Conquistas como ponto de partida

Embora o currículo seja repleto de reconhecimentos, o pianista afirma que os prêmios nunca foram o destino final da carreira. "As conquistas internacionais são importantes, mas nunca foram o objetivo final. Elas representam a confirmação de que estamos no caminho certo, de que é possível produzir excelência artística a partir de Santa Catarina e dialogar com os grandes centros culturais do mundo", afirma.

Segundo Rossi, o que continua impulsionando seu trabalho é a possibilidade de aproximar o público da música de concerto, formar novas plateias e mostrar que esse universo pode ser contemporâneo, acessível e transformador.

Entre os próximos desafios está fortalecer a presença internacional da Filarmônica Catarinense por meio de intercâmbios, coproduções e turnês, sem deixar de ampliar a atuação social da orquestra no Brasil. "Quero que a Filarmônica Catarinense seja reconhecida não apenas pela qualidade artística, mas por representar um novo modelo de orquestra para o século XXI", destaca.

 

Pablo Rossi na Igrejinha da UFSC, um dos espaços mais emblemáticos da cultura de Florianópolis.

 

Marco na Filarmônica de Berlim

A apresentação na Großer Saal da Berlin Philharmonie é considerada por Rossi um dos momentos mais significativos de sua trajetória. Além da importância artística de se apresentar em um dos palcos mais prestigiados da música de concerto, o concerto também encerrou um intervalo de mais de 35 anos desde a última apresentação de um pianista brasileiro convidado por uma orquestra alemã para atuar como solista naquela sala.

Para ele, a experiência ampliou sua projeção internacional e abriu novas oportunidades de colaboração com artistas e instituições no exterior.

A apresentação também trouxe reflexos para a Filarmônica Catarinense. Ainda neste ano, a orquestra realizará sua primeira turnê internacional, com apresentações na própria Berlin Philharmonie e em importantes salas de concerto da Itália, como a Sala Palestrina, em Roma, além dos tradicionais Palazzo Diedo e Palazzo Polignac, em Veneza.

Rossi ressalta que os resultados alcançados pela orquestra são fruto de um trabalho coletivo. Ele cita o empenho dos músicos, da equipe administrativa e da diretora executiva Fernanda Silveira, além do apoio de patrocinadores e empresários que acreditam no projeto. "Boas ideias e equipes qualificadas são indispensáveis, mas somente encontram continuidade quando existem pessoas dispostas a acreditar nelas e construir esse futuro conosco", afirma.

Segundo ele, esse trabalho também levou a Filarmônica Catarinense a se tornar a primeira orquestra catarinense convidada para o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão e a primeira do estado a se apresentar na Sala São Paulo.

Música além dos palcos

Na avaliação do pianista, o futuro da música de concerto passa por novos formatos de atuação, sem abandonar a tradição. "Acredito que a música de concerto vive um momento de transformação. O futuro não está em preservar modelos do passado, mas em respeitar a tradição enquanto criamos novas formas de dialogar com a sociedade", diz.

Essa visão orienta as ações da Filarmônica Catarinense, que desenvolve projetos em escolas, hospitais e comunidades, além das apresentações em grandes salas de concerto. Em 2025, os Concertos Sociais Extramuros realizaram mais de 135 apresentações voltadas a crianças, jovens e idosos, levando a música de concerto a públicos que, muitas vezes, não teriam acesso a esse tipo de experiência.

Para Rossi, excelência artística e compromisso social caminham juntos. Sua expectativa é que Santa Catarina se consolide como um polo de produção musical de alto nível, formando novos artistas, ampliando intercâmbios internacionais e democratizando o acesso à música de concerto. "Se conseguirmos inspirar outras iniciativas pelo Brasil a unir qualidade artística, responsabilidade social e inovação, estaremos contribuindo para construir um futuro mais forte, mais sustentável e mais relevante para a música de concerto brasileira", conclui.

 

 

Da redação

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