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Surfistas precisam se adaptar à safra da tainha
Período entre maio e julho altera uso do mar e exige atenção de surfistas e turistas

Surfistas precisam se adaptar à safra da tainha
Áreas do mar ficam destinadas à pesca artesanal, e surfistas precisam redobrar a atenção para evitar conflitos e respeitar a tradição. (Foto: Marcos Albuquerque/PMF)

Publicado em 30/04/2026

A proximidade da safra da tainha já começa a mudar a dinâmica das praias de Florianópolis. A partir de 1º de maio, quando inicia oficialmente o período de pesca, trechos de areia e mar passam a ter uso prioritário dos pescadores artesanais, o que exige atenção redobrada de surfistas e visitantes.

A orientação ganhou repercussão após o surfista Lucas Vicente publicar um vídeo nas redes sociais alertando sobre as restrições durante a temporada. Em tom descontraído, ele lembrou que desrespeitar as áreas destinadas à pesca pode gerar conflitos. “Se entrar no lugar errado, o bambu nas costas canta”, brincou, ao reforçar a necessidade de atenção às regras locais.

Restrições variam conforme a praia

Durante a safra, algumas praias concentram maior limitação para a prática do surfe. É o caso de Moçambique, Pântano do Sul, Açores, Solidão, Ingleses e Santinho, onde a atividade pesqueira tem forte presença.

Já em locais como Joaquina, Mole e Matadeiro, há trechos liberados para esportes aquáticos. Em outras regiões, como Campeche e Barra da Lagoa, o funcionamento depende do sistema de bandeiras, sendo a vermelha indicativa de proibição de entrada no mar.

Prioridade à pesca artesanal

As regras seguem uma legislação municipal que, desde 2024, consolidou a prioridade da pesca artesanal durante a safra. Entre 1º de maio e 10 de julho, a atividade tem preferência nas áreas onde ocorre, com o objetivo de preservar uma prática tradicional e garantir o sustento de comunidades litorâneas.

A definição dos espaços é feita de forma conjunta entre pescadores, representantes do poder público e praticantes de esportes aquáticos. Em praias sem delimitação fixa, a liberação ou restrição é ajustada diariamente, conforme as condições e a presença das redes de pesca.

Por isso, a principal recomendação é que surfistas busquem orientação diretamente com os pescadores antes de entrar no mar.

Temporada movimenta economia e cultura

Além de uma atividade econômica, a safra da tainha é um dos períodos mais simbólicos do litoral catarinense. A pesca mobiliza famílias inteiras e impacta diversos setores, como comércio, transporte e venda de pescado.

A abertura da temporada em 2026 foi antecipada por uma programação iniciada no dia 26 de abril, com eventos que seguem até a véspera do início oficial. O período também é marcado pelo “saragaço”, celebração tradicional entre os pescadores.

Com forte valor cultural e impacto direto na renda de muitas comunidades, a safra reforça a importância do convívio harmonioso entre tradição e lazer nas praias da capital catarinense.

 

 

Da redação

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