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Villa Francioni se torna referência com vinho VF rosé
Nesta 2a parte da entrevista, Daniela Freitas retrata a evolução da Villa e as homenagens até os dias de hoje

Villa Francioni se torna referência com vinho VF rosé
À frente do conselho desde 2008, Daniela Freitas conta em detalhes a meteórica evolução do VF Rosé inclusive sobre a icônica garrafa francesa feita sob encomenda para o vinho. (Fotos: HBN/Imagemdailha) ***CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR

Publicado em 04/04/2026

Dando sequência à série especial do Mês da Mulher, o Imagem da Ilha apresenta a segunda e última parte da entrevista com Daniela Freitas, presidente do conselho da vinícola Villa Francioni. Neste trecho, a empresária relembra momentos que ajudaram a projetar a marca nacionalmente, incluindo episódios que ampliaram a visibilidade dos vinhos produzidos na Serra Catarinense.

A conversa também aborda a construção de rótulos que homenageiam a história da família, as escolhas que consolidaram a identidade da vinícola e os preparativos para a celebração dos 25 anos do empreendimento, marcada por projetos especiais e um novo lançamento comemorativo.

 

Parreiras protegidas, episódios marcantes e estratégias únicas ajudaram a ampliar a visibilidade dos vinhos produzidos pela vinícola, em São Joaquim.

 

Imagem da Ilha: A Villa se tornou uma vinícola emblemática com vinhos admirados inclusive por uma estrela da música mundial. Como foi esse crescimento? 

Daniela: Lembrando que nós lançamos os primeiros vinhos em 2005,  com o Chardonnay, Sauvignon Blanc e Rosé. A partir daí, nós fomos lançando os vinhos tintos, os espumantes, os licorosos, mas o vinho Rosé foi inclusive um grande dilema na época que lançamos, porque o nosso consultor americano não tinha essa ideia de que vinho Rosé traria conceito, que vinícolas importantes faziam vinhos Rosé. 

E o projeto da Villa Francioni era fazer o melhor vinho possível da América Latina dentro desse nosso terroir. Mas o vinho Rosé surgiu a partir da ideia de que nós vivemos num país tropical, e com uma gastronomia leve. Então pensamos que o Rosé se adaptaria muito bem ao estilo de vida do brasileiro e às condições climáticas do nosso país. Na epoca, a Madonna vinha com frequencia ao Brasil. Em 2008, e o Manuel Beato, um sommellier reconhecido em todo Brasil, estava no restaurante Fasano, e apresentou à Madonna o nosso VF Rosé. A equipe dela, incicialmente não queria muito que ela conhecesse o vinho, isso porque ela só tomava vinhos do sul da França. Era um tabu para ela tomar um vinho de fora do sul da França. Mas, ela acabou experimentando... o Manuel Beato abriu uma garrafa, colocou na taça e ela provou, e se apaixonou. Quis levar todas as garrafas do VF Rosé do restaurante. Além disso, o vinho também recebeu muita notoriedade porque o Manuel Beato também tinha um programa na Rádio Eldorado em São Paulo. Então, toda quinta-feira, e por várias semanas ele citou aquele fato inusitado, incrível um vinho brasileiro ter o reconhecimento de uma pessoa com tanta visibilidade internacional como a cantora Madonna, e ele ficou repetindo isso por várias semanas. 

Dois meses depois fomos expor em uma feira de vinhos, no Jockey Clube em São Paulo. A Villa Francioni participou com um stand junto com distribuidores, importadores, vinícolas... E as pessoas presentes vinham degustando, e já perguntavam onde estava o vinho da Madonna. Queriam degustar o vinho da Madonna.

E isso foi um "boca a boca" absurdo. O Brasil inteiro começou a falar sobre isso. Até nossos distribuidores em São Paulo, quando faziam pedido, colocavam "vinho VF Rosé Madonna", "Garrafa Madonna". Então foi incrível! No desenvolvimento do projeto do vinho criamos uma garrafa diferenciada de origem francesa, encomendada sob medida. Nós também desenvolvemos uma embalagem específica, diferenciada. Ela é trazida da França desde aquela época, desde que lançamos o VF Rosé. 

O VF rosé é um excelente, é muito equilibrado, tem uma paladar incrível. É feito com oito uvas tintas no método sangria, isso quer dizer que a casca que aporta a cor e a estrutura ao vinho, fica poucas horas em contato com o líquido, com o mosto (que é o líquido inicial da uva quando vai para o tanque). É um vinho claro, um vinho que tem aquela cor suave, com uma estrutura mais para vinho branco do que para vinho tinto. E tem grande aceitação, as pessoas se apaixonam por ele. Hoje o VF rosé se tornou o carro-chefe de vendas da Villa Francioni.

 

Imagem da Ilha: Nos útimos 10 anos vocês tem feito vinhos com rótulos homenageando sua família. Qual o motivo dessa homenagem? Esses vinhos partem de alguma cepa especial, alguma alguma safra especial? Como vocês trabalham para fazer esses vinhos? São de quantidade ilimitada? 

Daniela: Primeiramente, o nome vem da vinícola, Villa Francioni. Francioni é o nosso sobrenome italiano, mãe do meu pai, minha avó paterna, era Agripina Francioni de Freitas. Então, meu pai quis homenageá-la, e escolheu o nome dela para a empresa, a vinícola, homenageando assim minha avó. Ele queria dizer que ao lado de um grande homem sempre existe uma grande mulher. 

E o meu avô, Dionilson Freitas, foi um homem de grande destaque no mundo econômico e político. Ele foi um grande empresário, um grande político e a minha avó sempre deu muito apoio. Ele quis valorizar o papel da mulher, o sucesso do homem, do marido, no caso. Então, Francioni é nossa família, uma família que descobrimos veio da Toscana, na Itália e nós quisemos sempre homenagear a família. Então fizemos o vinho Francesco. Francesco era o avô da minha avó. Foi o primeiro da nossa família que veio para o Brasil. 

O vinho Micheli, é uma outra homenagem, era o pai do Francesco, aquele italiano que nunca veio para o Brasil. Posteriormente, pensamos muito em homenagear o meu pai Dilor. Mas para isto precisava ser um vinho muito especial, de uma safra diferenciada. Então nós lançamos o vinho Dilor em 2009. Foi uma safra excepcional com a última colheita dia 4 de junho, algo completamente inusitado, fora da curva. 

Foi a colheita mais tardia da América do Sul, na época. Bom, e lançamos recentemente a safra 2020 do Dilor. Há 2 anos atrás, pensamos em homenagear também a vó Agripina... e pensamos qual seria o vinho ideal? Tinha que ser um vinho que tivesse haver com a personalidade dela, personalidade típicamente italiana, com aquele temperamento explosivo, um temperamento muito rígido, com muita rigidez de conceitos, moral, ética, enfim, uma pessoa única. 

E aí pensamos, em homenageá-la com um vinho cuja uva era muito difícil de cultivar, no caso, a Nebbiolo. E conseguimos fazer 1.400 garrafas, um produto de quatro safras distintas. Então, denominamos Agripina lote 1, que reuniu as safra 2012, 2015, 2017 e 2018. Agora, o lote 2 já está nas barricas também. E está excelente! 

No final do ano passado ainda provei com os enólogos para ver sua evolução, estava bom mas tende a ficar ainda melhor. Então a vó Agripina foi a grande homenageada neste projeto da Villa Francioni.

 

 

O amplo salão para desgustação e a boutique para venda de vinhos e produtos afins fazem parte do projeto pioneiro na Serra Catarinense que se prepara para celebrar 25 anos com ações comemorativas.

 

Imagem da Ilha: A vinícola está fazendo 25 anos em 2026. Tem algum evento previsto? o que vocês têm em mente para consolidar a vinícola aos 25 anos?

Daniela: Estamos muito felizes de ter vencido esses 25 anos, porque não é fácil. As pessoas que vem aqui acham tudo muito bonito, tudo muito lindo de fora, mas o dia a dia e ano após ano, assim como os primeiros anos, principalmente, foram super difíceis. 

Consolidar uma marca no mercado exige um esforço enorme e você provar que vai manter o padrão de qualidade em cada rótulo que você faz... isso porque nós fomos a vinícola pioneira em São Joaquim. Os primeiros vinhedos de forma escalonada, foi realmente um grande desafio. 

Mas enfim, superando tudo isso, temos muitas coisas interessantes para mostrar. Estamos fazendo uma compilação de várias etapas que aconteceram aqui na Villa Francioni, inclusive reunindo todos os prêmios. 

Recebemos muitos prêmios em relação aos vinhos, muitos prêmios em relação à própria vinícola, como o Top of Mind, prêmios de enoturismo, prêmios em relação à vinícola em si, o projeto da vinícola, essa interação com a comunidade, nossa relação com as entidades de pesquisa. Até hoje a gente tem isso, com a UDESC, e com outras universidades que vem fazer pesquisas aqui no nosso vinhedo. E a própria galeria de arte, onde acontecem todas as exposições. Estamos fazendo uma compilação de todos os eventos que passaram por aqui e todas as iniciativas que fizemos trazendo crianças para estudar um pouquinho sobre a arte, para aprender com o artista, fizemos muitas atividades em conjunto com a comunidade. 

Todas as personalidades que passaram pela Vinícola… nós temos 25 anos de uma história bastante rica, com muito empreendedorismo, lançamos a Corrida dos Vinhedos, com várias edições e segue até hoje. Então nós estamos fazendo todo um compêndio de tudo o que aconteceu partindo, inclusive da própria construção, com a participação do arquiteto responsável. Já fizemos vários vídeos sobre as etapas da construção da vinícola, a implantação do vinhedo, lá atrás, como foram escolhidas as uvas, como que elas chegaram… 

Nós vamos remontar toda a história desses 25 anos... até o paisagismo, houve um projeto de paisagismo aqui dentro da propriedade encomendado por um especialista em árvores de clima frio, muito interessante. Então nós vamos compilar todas essas informações, vamos fazer um roteiro que vai servir como base para um livro dos 25 anos e um vídeo institucional já marcando todo esse período. Inclusive, para marcar essa data tão importante para nós, vamos lançar um vinho especial da Villa Francioni com esse selo comemorativo. 

 

Imagem da Ilha: E esse vinho, já sabem as uvas que vão compor a safra? 

Daniela: Sim, já temos o vinho pronto. Só estamos finalizando a arte do rótulo específico. 
 

Para ler a 1ª parte da entrevista, clique AQUI

 

Visitação guiada na Villa Francioni apresenta o processo de produção e inclui degustação dos rótulos da vinícola.

 

Entrevista e fotos : Hermann Byron Neto

Decupagem e edição: Carolina Beux

Edição final:  Hermann Byron Neto

 

 

Da redação

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Sobre o autor

Hermann Byron

Hermann Byron

Diretor geral do Imagem da Ilha, e um dos colunistas de gastronomia do jornal.


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