AVC mata mais de 100 mil brasileiros por ano
Campanha internacional de 2026 reforça que cada minuto importa no atendimento, desde o reconhecimento dos sintomas até a escolha do tratamento
Mais de 100 mil brasileiros morrem anualmente em decorrência do acidente vascular cerebral (AVC), segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. A doença está entre as principais causas de morte, incapacidade e internação e tem incidência estimada no país de 108 casos para cada 100 mil habitantes.
No Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro, a campanha internacional da World Stroke Organization reforça em 2026 a mensagem “Every M1nute Counts”: cada minuto conta. E a corrida contra o tempo não termina quando o paciente chega ao hospital. A rapidez no diagnóstico também é fundamental para definir o tratamento.
“Os sintomas podem indicar um AVC, mas precisamos identificar rapidamente o que está acontecendo no cérebro. A imagem permite verificar se existe um sangramento ou uma artéria obstruída e fornece informações essenciais para decidir qual é a melhor estratégia para aquele paciente”, explica Michel Frudit, médico especialista em neurorradiologia intervencionista e neurocirurgia e chefe do Serviço de Neurorradiologia Intervencionista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Quando a imagem define o tratamento
Cerca de 85% dos AVCs são isquêmicos, provocados pela obstrução de uma artéria, enquanto aproximadamente 15% são hemorrágicos, decorrentes do rompimento de um vaso cerebral.
A tomografia computadorizada de crânio é o exame de imagem mais utilizado na avaliação inicial do AVC agudo. Dependendo do caso, exames como angiotomografia, estudos de perfusão e ressonância magnética podem ajudar a identificar o vaso comprometido, avaliar a extensão da lesão e verificar se ainda existe tecido cerebral que pode ser preservado.
Nos casos selecionados de AVC isquêmico, o tratamento pode incluir medicamentos trombolíticos ou a trombectomia mecânica, procedimento minimamente invasivo realizado por via endovascular para retirar o coágulo que bloqueia a circulação cerebral.
“No AVC, o tempo tem impacto direto nas possibilidades de tratamento. Quanto mais rápido conseguimos entender o que está acontecendo no cérebro, mais cedo podemos agir e tentar reduzir o risco de sequelas”, afirma Frudit.
Atenção aos sinais
Fraqueza ou formigamento súbito em um lado do corpo, alteração da fala ou da visão, dificuldade para caminhar, perda de equilíbrio e dor de cabeça súbita e intensa estão entre os sinais de alerta.
Diante da suspeita de AVC, a orientação do Ministério da Saúde é buscar atendimento imediato ou acionar o SAMU pelo 192. Quanto mais rápido o diagnóstico e o tratamento, maiores são as chances de recuperação.
Da redação
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