Afastamentos em SC pressionam ambiente corporativo
Santa Catarina ocupa a primeira posição no país em afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais quando analisado o índice proporcional à população. São 507 benefícios concedidos a cada 100 mil habitantes, segundo dados do Ministério da Previdência Social, um cenário que reforça a necessidade de mudanças na forma como empresas lidam com a saúde mental de seus colaboradores.
Em todo o Brasil, mais de meio milhão de trabalhadores precisou se afastar das atividades em 2025 para cuidar da saúde mental. Foram 546.254 benefícios concedidos pela Previdência Social em decorrência de transtornos mentais e comportamentais, o maior número já registrado no país.
Os indicadores ganham ainda mais relevância diante da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que, desde 26 de maio de 2026, passou a incluir oficialmente os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Na prática, as empresas passam a responder também por questões como assédio moral, excesso de cobrança, jornadas exaustivas, pressão psicológica constante, ambientes organizacionais tóxicos e falhas na comunicação interna.
A mudança representa uma nova etapa nas relações de trabalho, deslocando a saúde mental do campo das boas práticas para o das obrigações legais. Mais do que cumprir uma exigência normativa, especialistas defendem que as organizações precisam rever a forma como lideram equipes, estabelecem metas e constroem suas relações internas, já que os sinais de adoecimento costumam surgir muito antes do afastamento.
Para a advogada Priscila Coelho, especialista em assessoria jurídica preventiva para empresas, a atualização da NR-1 marca uma transformação importante na gestão corporativa.
"A saúde mental deixou de ser apenas um tema de bem-estar e passou a integrar diretamente a gestão de risco das empresas. Hoje, organizações que não possuem políticas preventivas, treinamentos e uma cultura organizacional saudável podem enfrentar impactos financeiros, trabalhistas e reputacionais relevantes."
Segundo a especialista, muitas empresas ainda não compreenderam a dimensão prática da nova norma. A ausência de ações preventivas pode aumentar passivos trabalhistas, favorecer ações relacionadas ao burnout e ao assédio moral, além de comprometer a imagem institucional. Em contrapartida, ambientes organizacionais saudáveis contribuem para maior produtividade, retenção de talentos e fortalecimento da cultura empresarial.
Com Santa Catarina liderando o ranking nacional de afastamentos proporcionais por saúde mental, o desafio vai além do cumprimento da legislação. O cenário evidencia a necessidade de uma mudança cultural nas organizações, em que a prevenção do adoecimento emocional passe a fazer parte da estratégia das empresas e não apenas da resposta a um problema já instalado.
Da redação
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