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Europa impulsiona avanço das exportações de SC

Europa impulsiona avanço das exportações de SC
Diversificação dos mercados internacionais garantiu crescimento de 4,3% nas exportações catarinenses no primeiro semestre. (Foto: Porto de Itapoá)

Publicado em 07/07/2026

Santa Catarina encerrou o primeiro semestre de 2026 com US$ 6,13 bilhões em exportações, resultado 4,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O avanço foi impulsionado pela ampliação dos mercados compradores, estratégia que ajudou a reduzir os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos e das incertezas provocadas pelo cenário geopolítico no Oriente Médio.

A mudança na composição dos destinos das exportações fortaleceu a presença dos produtos catarinenses em países e blocos econômicos considerados estratégicos. A União Europeia passou a liderar como principal destino das vendas externas do estado, registrando crescimento de 11,5%, favorecida pelo acordo firmado entre Mercosul e o bloco europeu. Também houve expansão nas exportações para Japão (41,2%), México (15,2%), Paraguai (13,3%) e China (10,4%).

Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), Gilberto Seleme, a rápida adaptação da indústria catarinense permitiu compensar parte das perdas registradas no mercado norte-americano por meio da conquista de novos compradores internacionais.

Proteína animal sustenta desempenho

A cadeia de proteína animal teve papel decisivo no resultado positivo das exportações catarinenses. Os embarques de carne de aves alcançaram US$ 1,13 bilhão entre janeiro e junho, impulsionados pela demanda de mercados como China, México, Chile, Coreia do Sul e Japão.

As exportações de carne suína também apresentaram bom desempenho, somando US$ 873,9 milhões no semestre. O crescimento foi favorecido, principalmente, pelo aumento das vendas ao mercado japonês.

Apesar da força do segmento, setores tradicionais da pauta exportadora sofreram os efeitos das medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos.

Setor madeireiro segue pressionado

As exportações catarinenses destinadas aos Estados Unidos totalizaram US$ 582,9 milhões no primeiro semestre, uma retração de 31,3% em relação ao mesmo período de 2025.

De acordo com a FIESC, a maior parte dessa queda está concentrada no setor madeireiro. As vendas do segmento ao mercado norte-americano recuaram 40,8%, passando de US$ 316,6 milhões para US$ 187,5 milhões.

O economista-chefe da entidade, Pablo Bittencourt, explica que os produtos atingidos por uma tarifa adicional de 50% em meados de 2025 começaram a apresentar sinais de recuperação após o fim da cobrança, em março deste ano. No entanto, os itens enquadrados na Seção 232 continuam enfrentando dificuldades.

Segundo ele, essa restrição reduziu pela metade o volume embarcado, que caiu de 22 mil para 11,7 mil toneladas, sem apresentar reação até o momento, o que mantém a pressão sobre a economia das regiões Serrana e do Planalto Norte de Santa Catarina.

Importações também avançam

As importações catarinenses chegaram a US$ 18,15 bilhões no acumulado dos seis primeiros meses do ano, crescimento de 7,9% na comparação com igual período de 2025.

Entre os principais produtos comprados no exterior estão o cobre em formas brutas, que movimentou US$ 819,5 milhões e registrou alta de 24,6%, além dos pneus, cujas importações somaram US$ 496,5 milhões, avanço de 86,5%.

O setor automotivo também ampliou as aquisições. As importações de partes de automóveis atingiram US$ 533,1 milhões, crescimento de 17,31%, enquanto as compras de automóveis de passageiros aumentaram 22,6%, alcançando US$ 416,3 milhões no período.

Perspectivas para o restante do ano

A expectativa da FIESC é de que o acordo entre Mercosul e União Europeia continue criando oportunidades para ampliar a presença dos produtos catarinenses no mercado internacional.

Por outro lado, Pablo Bittencourt alerta que a continuidade das disputas tarifárias com os Estados Unidos e a possibilidade de um novo aumento de tarifas ainda geram preocupação para setores importantes da economia estadual.

Na avaliação do economista, a manutenção do crescimento das exportações dependerá da capacidade de segmentos como os de madeira e móveis ampliarem sua atuação em novos mercados, reduzindo a dependência de parceiros tradicionais e diminuindo os impactos de possíveis oscilações no comércio internacional.

 

 

Da redação

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