Mapa inédito ajuda SC a prevenir feminicídios
Na quarta-feira (22), o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio reforçou a importância da prevenção à violência contra a mulher e da atuação conjunta da sociedade no enfrentamento desse tipo de crime. Considerado a forma mais extrema da violência de gênero, o feminicídio normalmente é precedido por um ciclo de abusos que inclui ameaças, perseguição, controle excessivo e violência psicológica.
Com o objetivo de fortalecer a rede de proteção e contribuir para a formulação de políticas públicas, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) desenvolveu o Mapa do Feminicídio de Santa Catarina. Lançada em março de 2026, a plataforma reúne informações sobre os casos registrados entre 2020 e 2024, além de trazer a atualização dos números absolutos até 2025.
Produzido pelo Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT) e pelo Escritório de Ciências de Dados Criminais (EDC), em parceria com o Setor de Dados Estruturados do MPSC, o levantamento oferece dados que podem ser utilizados por pesquisadores, gestores públicos e profissionais da imprensa para compreender melhor a realidade da violência de gênero no estado.
Dados que ajudam a prevenir novos casos
Além de concentrar estatísticas, a ferramenta permite identificar padrões de comportamento e circunstâncias que antecedem os crimes, fornecendo subsídios para aperfeiçoar mecanismos de prevenção e proteção às vítimas.
Segundo a coordenadora-geral do NEAVIT, Chimelly Louise de Resenes Marcon, os impactos do feminicídio ultrapassam a perda da vítima.
"O feminicídio não afeta apenas a mulher que teve a vida interrompida. Ele atinge filhos, familiares e toda uma rede de pessoas que convivem com as consequências dramáticas dessa agressão. Ao compreendermos detalhadamente essa realidade, conseguimos antecipar os sinais, aperfeiçoar os mecanismos de proteção e salvar vidas", afirma.
A metodologia utilizada no estudo transformou a iniciativa catarinense em uma referência nacional. O projeto já foi apresentado à ministra das Mulheres, Márcia Helena Carvalho Lopes, como exemplo de boa prática institucional e despertou o interesse de Ministérios Públicos de outros estados.
Apoio aos filhos das vítimas
Os dados consolidados pelo MPSC mostram que os efeitos do feminicídio também atingem diretamente crianças e adolescentes. Em Santa Catarina, 65,6% das mulheres vítimas eram mães e, em 45,9% dos casos, tinham filhos em comum com o agressor.
Para identificar e acompanhar esses órfãos, o Ministério Público firmou, neste ano, uma parceria com a Polícia Científica de Santa Catarina. A iniciativa pretende mapear formalmente as crianças e adolescentes que perderam as mães em decorrência da violência de gênero.
O levantamento inédito busca garantir que esses jovens tenham acesso prioritário à assistência social, atendimento psicológico e aos benefícios previstos em lei.
Responsabilidade de toda a sociedade
A data também reforça que o enfrentamento ao feminicídio depende da participação coletiva. Identificar os primeiros sinais de relacionamentos abusivos, apoiar as vítimas e incentivar a denúncia são medidas consideradas essenciais para interromper o ciclo de violência antes que ele resulte em uma tragédia.
Da redação
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