Mesmo com retração, SC ainda tem crescimento no ano
A atividade econômica de Santa Catarina apresentou queda de 1,3% em julho de 2026, na comparação com o mês anterior. O resultado interrompeu seis meses consecutivos de crescimento e representa a maior retração registrada desde abril de 2025, quando o indicador havia recuado 2,2%.
O desempenho catarinense ficou abaixo do resultado nacional. No mesmo período, a atividade econômica brasileira apresentou redução de 0,2%, conforme os dados do IBCR-SC, indicador acompanhado pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) e considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB).
Comércio e serviços registram queda
Entre os principais setores analisados, o comércio varejista ampliado teve redução de 1,2% no volume de vendas em julho. O setor de serviços também apresentou retração, de 0,9%. Já a produção industrial permaneceu praticamente estável, com variação negativa de 0,02%.
Para a FIESC, o resultado faz parte de um movimento de desaceleração que vem ocorrendo na economia catarinense. A entidade aponta os efeitos da taxa básica de juros, a Selic, sobre o crédito como um dos fatores relacionados ao cenário.
Segundo o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, o elevado comprometimento da renda das famílias e o ritmo considerado lento de redução da Selic também influenciam o desempenho da economia.
“O juro alto dificulta o acesso ao crédito, não só para as indústrias que querem investir, mas também para as famílias, com impactos no consumo”, disse Seleme.
Crescimento ainda aparece nas comparações anuais
Apesar da retração mensal, Santa Catarina apresentou crescimento de 1,6% em julho na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado dos 12 meses encerrados em julho de 2026, a economia do estado também avançou 1,6%.
No Brasil, o crescimento acumulado em 12 meses ficou em 1,5%. Os números mostram que a economia catarinense continua em expansão quando comparada ao ano anterior, embora em um ritmo mais moderado.
O economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, avalia que o resultado anual positivo ocorre em um cenário de perda de ritmo da atividade produtiva. Segundo ele, o desempenho mais moderado do comércio e dos serviços contrasta com a evolução contida da indústria.
“O avanço do comércio e dos serviços, mais moderados do que no passado recente, contrasta com o desempenho contido da indústria. O endividamento das famílias e a manutenção da SELIC em patamares elevados continuarão a limitar o crescimento da economia de SC a taxa próxima a 2% até o final do ano”, avalia Bittencourt.
Da redação
Fonte: Fiesc
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