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Novo golpe usa Desenrola Brasil para roubar dados

Novo golpe usa Desenrola Brasil para roubar dados
A nova geração de golpes digitais aposta em anúncios patrocinados para levar usuários a páginas falsas que imitam programas oficiais do Governo Federal, aumentando as chances de roubo de dados e dinheiro. (Foto: Reprodução internet)

Publicado em 06/08/2026

Criminosos voltaram a explorar programas federais para aplicar fraudes na internet. Desta vez, os alvos são o Desenrola Brasil e o Voa Brasil, cujos nomes e identidade visual estão sendo utilizados em anúncios patrocinados e páginas falsas que simulam canais oficiais para atrair vítimas.

A estratégia tem chamado a atenção por representar uma mudança na atuação dos golpistas. Em vez de depender apenas de mensagens enviadas por WhatsApp, e-mail ou SMS, eles passaram a investir em publicidade paga para fazer com que os golpes apareçam em destaque nos mecanismos de busca e nas redes sociais.

Com isso, usuários acabam encontrando conteúdos aparentemente confiáveis ao pesquisar por programas do governo ou ao navegar pelo Facebook e Instagram. Em muitos casos, a vítima fornece dados pessoais, informações bancárias ou até realiza pagamentos acreditando estar acessando um serviço legítimo.

Páginas falsas imitam sites oficiais

De acordo com investigações divulgadas pela imprensa e estudos do NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os criminosos desenvolvem páginas praticamente idênticas às oficiais. Os sites reproduzem logotipos, identidade visual, linguagem institucional e, em alguns casos, utilizam imagens produzidas por inteligência artificial para aumentar a aparência de autenticidade.

Após criar essas páginas, os golpistas pagam por anúncios para ampliar o alcance das fraudes. Assim, em vez de esperar que alguém encontre o link falso por acaso, eles fazem com que ele seja exibido entre os primeiros resultados de pesquisas ou diretamente no feed das redes sociais.

Ao acessar essas páginas, o usuário pode ser levado a preencher formulários com dados pessoais, fornecer informações financeiras, realizar pagamentos via Pix ou acreditar que está aderindo a um programa oficial do governo.

Confiança é a principal ferramenta dos criminosos

O Desenrola Brasil foi criado pelo Governo Federal para facilitar a renegociação de dívidas e ampliar o acesso ao crédito. Já o Voa Brasil busca ampliar o acesso ao transporte aéreo com passagens a preços reduzidos para públicos específicos.

Por serem iniciativas amplamente conhecidas, esses programas carregam um alto grau de credibilidade junto à população. É justamente essa confiança que vem sendo explorada pelos criminosos para reduzir a desconfiança das vítimas e aumentar as chances de sucesso das fraudes.

Nos últimos anos, além de utilizar nomes de bancos e grandes empresas, os golpistas passaram a explorar temas de grande interesse público, como benefícios sociais, restituição do Imposto de Renda, Correios, Pix e serviços governamentais.

Anúncio pago não significa conteúdo verdadeiro

Um dos aspectos que mais preocupa especialistas é que muitos desses golpes chegam aos usuários por meio de anúncios patrocinados.

Muitas pessoas ainda acreditam que todo conteúdo exibido como publicidade passou por uma análise rigorosa antes de ser publicado. No entanto, a presença de um anúncio em plataformas digitais não representa garantia de autenticidade.

Essa mudança no cenário exige que os usuários adotem o mesmo nível de cautela diante de anúncios patrocinados que já costumam ter ao receber mensagens suspeitas por aplicativos ou e-mail.

Publicidade digital também passou a ser explorada

As investigações apontam que organizações criminosas profissionalizaram sua atuação no ambiente digital. Integrantes ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV) utilizaram inteligência artificial, páginas falsas e campanhas patrocinadas para explorar programas federais e aplicar golpes em larga escala.

Na prática, eles utilizam as mesmas ferramentas disponíveis para empresas que anunciam produtos e serviços, mas direcionadas à divulgação de fraudes elaboradas para convencer as vítimas.

O crescimento desse tipo de prática também reacendeu o debate sobre o papel das plataformas digitais na prevenção da publicação de anúncios fraudulentos.

Debate sobre responsabilidade das plataformas

Uma investigação da Reuters revelou que documentos internos da Meta estimavam que cerca de US$ 16 bilhões de sua receita anual poderiam estar ligados a anúncios classificados internamente como golpes, produtos ilegais ou conteúdos que violavam suas próprias políticas, valor equivalente a aproximadamente R$ 87 bilhões na cotação atual.

A empresa contestou essa interpretação e afirmou investir continuamente em tecnologias para identificar e remover anúncios fraudulentos, além de atuar no combate a organizações criminosas que utilizam suas plataformas.

Como reduzir o risco de cair em fraudes

Especialistas orientam que o acesso a programas do governo seja feito, preferencialmente, pelos canais oficiais. Antes de informar qualquer dado, é importante verificar se o endereço eletrônico termina em ".gov.br" e evitar utilizar anúncios patrocinados como primeiro caminho para acessar serviços públicos.

Também é recomendável desconfiar de qualquer cobrança antecipada para liberar benefícios, renegociar dívidas ou aderir a programas governamentais. Em caso de dúvida, a orientação é consultar diretamente os canais oficiais do Governo Federal.

A evolução dos golpes mostra que a aparência profissional de um anúncio já não é suficiente para garantir sua legitimidade. Por isso, verificar a origem da página antes de clicar continua sendo uma das medidas mais eficazes para evitar prejuízos.

 

 

Da redação

Fonte: Moisés Béio Cardoso

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