O que acontece se as abelhas sumirem?
Muito além da produção de mel, as abelhas desempenham um papel essencial para a agricultura, a biodiversidade e a segurança alimentar. Responsáveis pela polinização de grande parte das plantas cultivadas, elas garantem a formação de frutos e sementes e, consequentemente, a produção de alimentos.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 75% das culturas agrícolas do mundo dependem, em algum nível, da polinização realizada por animais.
O tema foi abordado pelo IFSC Verifica em entrevista com o professor de Biologia do IFSC, Mário César Sedrez, e o chefe da Divisão de Estudos Apícolas da Epagri, Rodrigo Durieux da Cunha, que explicam os riscos da redução das populações de abelhas e a importância desses insetos para o meio ambiente e a economia.
Populações em declínio
Pesquisadores de diferentes países têm registrado o desaparecimento de colmeias e a morte de milhões de abelhas. Embora o chamado Distúrbio do Colapso das Colônias não tenha sido confirmado no Brasil, especialistas lembram que, entre o fim de 2018 e o início de 2019, cerca de 500 milhões de abelhas morreram nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Estudos internacionais também apontam queda nas populações. Na Europa, estima-se que 10% das espécies de abelhas selvagens estejam ameaçadas de extinção, enquanto análises globais indicam redução significativa da diversidade de espécies nas últimas décadas.
O que ameaça as abelhas?
Entre os principais fatores estão o desmatamento, as queimadas, as mudanças climáticas, parasitas e o uso inadequado de agrotóxicos. Segundo Rodrigo Durieux da Cunha, as abelhas são bioindicadoras da qualidade ambiental e sofrem diretamente com inseticidas, fungicidas e outros produtos químicos utilizados nas lavouras.
Mário César Sedrez destaca que esses produtos também podem contaminar o mel, a cera, o pólen e o própolis. Ele cita ainda pesquisas que identificaram resíduos de glifosato em produtos apícolas e alerta para o impacto de pesticidas utilizados no combate ao mosquito da dengue sobre enxames.
Substituição ainda é inviável
Especialistas afirmam que substituir o trabalho das abelhas é praticamente impossível. Apesar de existirem técnicas de polinização artificial, como o uso de drones e a polinização manual em algumas lavouras, essas alternativas não alcançam a eficiência natural desenvolvida ao longo de cerca de 100 milhões de anos de evolução conjunta entre abelhas e plantas com flores.
Santa Catarina é referência
Santa Catarina ocupa posição de destaque na produção nacional de mel, com produtividade muito acima da média brasileira. Cerca de 14 mil famílias vivem da apicultura no estado, enquanto a criação de abelhas sem ferrão também cresce, impulsionada pelo interesse gastronômico e pela possibilidade de criação em áreas urbanas.
Para criar essas espécies, porém, é necessário registro nos órgãos competentes e acompanhamento técnico.
Além da produção, especialistas defendem que ampliar o conhecimento da população sobre as abelhas, especialmente as espécies sem ferrão, é uma das principais estratégias para preservar a biodiversidade e reduzir o risco de extinção desses importantes polinizadores.
Da redação
Fonte: IFSC
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