Saiba o que esperar do El Niño em SC
O El Niño deve se intensificar no segundo semestre de 2026 e atingir seu pico durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O fenômeno é monitorado continuamente pela Epagri/Ciram, que acompanha seus possíveis impactos em Santa Catarina.
Segundo a meteorologista Gilsânia de Souza Cruz, os dados mais recentes apontam para um El Niño forte, com possibilidade de chegar à categoria muito forte entre a primavera e o verão e permanecer até o início de 2027.
Primavera exige atenção
Em Santa Catarina, um dos principais efeitos esperados é o aumento das chuvas. A primavera já é marcada pela passagem frequente de frentes frias e pela formação de tempestades. Com a influência do fenômeno, podem ocorrer períodos de chuva mais persistente e eventos extremos.
Outubro e novembro costumam concentrar os maiores volumes de precipitação no Estado. Outro efeito previsto é a redução da frequência e intensidade das massas de ar frio durante o inverno e o início da primavera, enquanto os sistemas instáveis podem se tornar mais frequentes.
Apesar disso, os impactos não serão necessariamente iguais em todas as regiões. Outras oscilações atmosféricas também interferem no tempo e podem fazer com que diferentes áreas do Sul do Brasil sejam afetadas em momentos distintos.
Modelos ajudam a antecipar riscos
O acompanhamento do El Niño reúne informações como temperatura da superfície do mar, Índice ONI, dados atmosféricos, imagens de satélite e modelos de previsão climática. A Epagri/Ciram cruza projeções de instituições como NOAA, ECMWF, INPE e centros de pesquisa do Canadá e da Austrália.
Os meteorologistas também utilizam diferentes modelos estatísticos e ferramentas de inteligência artificial. A estratégia, chamada ensemble, combina várias simulações para produzir previsões probabilísticas e reduzir as incertezas.
Da previsão ao alerta
Enquanto a Epagri/Ciram acompanha o comportamento do fenômeno, o Cemaden avalia se determinados eventos meteorológicos podem resultar em desastres. O centro funciona 24 horas por dia e monitora quase 1.300 municípios brasileiros suscetíveis a ocorrências como enchentes, enxurradas e deslizamentos.
A análise considera dados de pluviômetros, radares, satélites, sensores de umidade do solo e estações que acompanham os níveis dos rios. Além do volume de chuva, são avaliados fatores como relevo, saturação do solo, histórico de eventos extremos e vulnerabilidade da população.
Um aviso meteorológico indica a possibilidade de chuva forte. Já um alerta do Cemaden considera o potencial de aquela chuva provocar impactos em determinado território.
Quando o risco é confirmado, o Cemaden encaminha a avaliação à Defesa Civil Nacional, que repassa as informações aos estados e municípios. As Defesas Civis locais definem as medidas necessárias, como mobilização de equipes, abertura de abrigos e interdição de áreas de risco.
Dependendo do evento, os alertas podem ser emitidos com até dois dias de antecedência. Em situações de evolução rápida, como enxurradas durante tempestades de verão, o tempo de resposta pode ser de apenas algumas horas ou minutos.
Assim, enquanto o El Niño aumenta a probabilidade de determinados eventos extremos ao longo de meses, o monitoramento de curto prazo ajuda a identificar onde e quando os riscos podem se concretizar. A combinação entre ciência, tecnologia e acompanhamento contínuo é essencial para transformar previsão em prevenção.
Da redação
Fonte: Alesc
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