SC enfrenta queda de 40% nas agências bancárias
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) realizou uma audiência pública na quarta-feira (5) para discutir os impactos da redução de agências bancárias e do atendimento presencial no estado. Como principal encaminhamento do encontro, foi proposta a criação de uma comissão para avaliar a elaboração de medidas legislativas que garantam a manutenção dos serviços presenciais oferecidos pelos bancos.
O debate foi promovido pela Comissão dos Direitos do Consumidor e reuniu representantes de trabalhadores do setor financeiro, entidades sindicais, autoridades e especialistas para analisar os efeitos da diminuição da estrutura física das instituições bancárias.
Entidades apontam prejuízos aos consumidores
A audiência foi solicitada pela Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Santa Catarina (Fetrafi-SC), que vem questionando o fechamento de unidades bancárias, principalmente em cidades menores.
Segundo a entidade, a redução das agências dificulta o acesso da população aos serviços financeiros, afetando principalmente pessoas idosas, moradores de municípios de pequeno porte e cidadãos que enfrentam dificuldades para utilizar plataformas digitais.
Para a Fetrafi-SC, os bancos justificam o fechamento das unidades pelo avanço da digitalização dos serviços. No entanto, o secretário-geral da federação, Marco Aurélio Silvano, afirmou que a tecnologia não consegue substituir completamente o atendimento realizado por profissionais. “Não negamos a importância da tecnologia, mas ela não substitui o homem. Todo mundo sabe que problemas complexos, operações de crédito, situações que envolvem fraudes, atendimento de pessoas que não têm acesso à internet, pessoas idosas, exigem a presença de uma agência e de profissionais qualificados”, declarou.
Silvano também destacou que a redução das agências impacta os trabalhadores do setor, já que a diminuição dos postos de trabalho aumenta a carga sobre os bancários que permanecem nas instituições. “Com o fechamento das agências, um volume de trabalho grande recai sobre cada vez menos bancários, com sobrecarga”, afirmou.
Ele defendeu ainda que a discussão sobre o modelo de atendimento bancário envolva toda a sociedade, questionando se a migração para os canais digitais representa uma escolha dos consumidores ou uma imposição das instituições financeiras.
Proposta de regulamentação do atendimento
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Instituições Financeiras da Grande Florianópolis (Sintrafi), Cleberson Eichholz, também defendeu a criação de normas que obriguem os bancos a manter atendimento presencial.
Segundo ele, a medida seria necessária para garantir acesso aos serviços financeiros para pessoas em situação de maior vulnerabilidade, que possuem dificuldades para utilizar ferramentas digitais.
Já Gustavo Tabatinga, representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), sugeriu, além da regulamentação do atendimento presencial, a criação de regras que impeçam o poder público estadual de manter operações com instituições financeiras que não tenham uma rede de agências considerada adequada.
SC perdeu 40% das agências em dez anos
Durante a audiência, o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Gustavo Cavarzan, apresentou dados sobre a transformação do atendimento bancário em Santa Catarina.
De acordo com o levantamento apresentado, o estado registrou uma redução de 40% no número de agências bancárias em uma década. No mesmo período, o setor perdeu 30% dos postos de trabalho.
Atualmente, 44% dos municípios catarinenses não possuem nenhuma agência bancária, situação que afeta mais de 600 mil pessoas.
Segundo Cavarzan, a ausência de unidades físicas provoca impactos que vão além do acesso aos serviços bancários, atingindo também a economia local. “Isso traz uma série de consequências para os clientes e para a economia desses municípios”, afirmou.
O economista explicou que a redução da presença bancária pode diminuir a arrecadação municipal, prejudicar pequenos negócios e ampliar dificuldades para moradores em situação de vulnerabilidade, além de contribuir para o aumento da inadimplência de tributos.
Correspondentes bancários ganham espaço
Cavarzan também avaliou que o modelo atual concentra o atendimento presencial para clientes de maior renda, enquanto parcelas da população dependem principalmente dos correspondentes bancários.
Em Santa Catarina, são 12,3 mil correspondentes bancários, número 21 vezes superior ao total de agências existentes no estado.
Para o economista, a precarização do atendimento para a população de baixa renda está relacionada a problemas como o aumento do endividamento, tema que precisa receber atenção do poder público. “O processo de falta de atendimento adequado também ajuda a explicar um dos principais problemas que atinge a população, que é o endividamento. É um tema que merece atenção do poder público, porque está se agravando e vai trazer mais consequências negativas”, concluiu.
Outros posts Ver todos
21° | Nublado


