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SC pode registrar mais eleitores nas urnas

SC pode registrar mais eleitores nas urnas
Crescimento das faixas etárias que mais votam e o peso das eleições gerais indicam maior participação dos catarinenses nas urnas em 2026. (Foto: Vicente Schmitt/Agência Alesc)

Publicado em 30/07/2026

A divulgação do perfil do eleitorado brasileiro e catarinense para 2026, feita pela Justiça Eleitoral, ajuda a traçar um cenário sobre o comparecimento às urnas nas próximas eleições. Em Santa Catarina, fatores como o crescimento das faixas etárias que historicamente mais votam e o maior engajamento registrado em eleições gerais apontam para uma possível alta na participação.

Nas últimas décadas, o Estado chegou a registrar 87% de comparecimento no primeiro turno das eleições gerais. Em 2024, no entanto, esse índice caiu para 78%, igualando a média nacional.

Faixas etárias favorecem maior participação

Dados do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) mostram que o grupo de eleitores entre 30 e 69 anos, que costuma apresentar os maiores índices de comparecimento, cresceu em 71 mil pessoas entre 2024 e 2026.

Já a faixa de 18 a 29 anos, que reúne os eleitores obrigatórios com menor participação nas últimas eleições, diminuiu em 61 mil votantes.

Entre os jovens de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, houve aumento de 4 mil eleitores. Segundo o desembargador do TRE-SC e diretor da Escola Judiciária Eleitoral de Santa Catarina (EJESC), Sérgio Francisco Carlos, esse público vem respondendo positivamente às campanhas de incentivo da Justiça Eleitoral, com crescimento na participação desde 2018.

Outro fator favorável é que eleições gerais, como as de 2026, que escolhem presidente, governador, senadores e deputados, costumam registrar comparecimento maior do que as municipais, como ocorreu em 2018 e 2022.

Idosos representam 10% do eleitorado

O grupo de eleitores com 70 anos ou mais cresceu 73 mil pessoas desde 2024 e agora representa cerca de 10% do eleitorado catarinense. A participação desse público vem aumentando desde 2018, embora ainda fique abaixo da média, principalmente entre os maiores de 80 anos.

Para o desembargador Sérgio Francisco, fatores como saúde, mobilidade urbana e desestímulo político ainda influenciam a decisão de muitos idosos de não votar. A Justiça Eleitoral oferece medidas para facilitar a participação, como prioridade nas filas para pessoas acima de 60 anos e atendimento preferencial aos eleitores com mais de 80. Também é permitido que pessoas com mobilidade reduzida votem acompanhadas por alguém de confiança.

Voto facultativo ainda registra menor comparecimento

Além dos jovens de 16 e 17 anos e dos idosos com 70 anos ou mais, o voto também é facultativo para pessoas analfabetas, que representam cerca de 1% do eleitorado catarinense.

Somados, os três grupos correspondem a pouco menos de 12% dos eleitores do Estado. Em 2024, o comparecimento entre quem tem voto facultativo foi de 59%, enquanto entre os eleitores obrigatórios chegou a 81%.

Estado ultrapassa 5,7 milhões de eleitores

Santa Catarina alcançou 5.725.753 eleitores em 2026, um crescimento de 85 mil pessoas em relação a 2024.

As mulheres continuam sendo maioria e ampliaram a diferença sobre os homens. Há dois anos eram 212 mil eleitoras a mais; agora são 258 mil. Apesar disso, o impacto desse crescimento sobre o comparecimento ainda é incerto.

O perfil do eleitorado também mostra aumento gradual da escolaridade, com o Ensino Médio completo permanecendo como o nível de instrução mais comum. Já a distribuição por cor e raça teve poucas alterações. Apenas um em cada dez eleitores informou essa informação à Justiça Eleitoral, e, em 2024, pretos e pardos apresentaram maior índice de abstenção.

Mais do que o perfil do eleitor

Especialistas destacam que a abstenção não depende apenas das características do eleitorado. Questões como mobilidade urbana, distância até os locais de votação e desinteresse político também influenciam a participação.

Quem tem voto obrigatório e deixa de votar sem justificativa fica com a situação eleitoral irregular, o que pode impedir o acesso a programas sociais, concursos públicos, posse em cargos públicos, emissão de passaporte, regularização do CPF e matrícula em instituições de ensino, entre outros serviços. Após três eleições consecutivas sem votar, o título é cancelado.

Para o desembargador Sérgio Francisco, embora essas restrições tenham efeito, o principal caminho para ampliar o comparecimento é a conscientização. "A participação deixa a democracia mais altiva", afirma.

 

 

Da redação

Fonte: Alesc

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