TRE-SC alerta para desafios das eleições 2026
Coletiva apresentou dados atualizados do eleitorado catarinense, novidades para a convocação de mesários, medidas para enfrentar eventos climáticos e ações voltadas à segurança do processo democrático.
O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) apresentou, na terça-feira (21), o panorama das Eleições 2026 no estado. Durante coletiva de imprensa, o presidente do TRE-SC, desembargador Carlos Roberto da Silva, destacou os principais números do eleitorado catarinense, o calendário eleitoral e os desafios que a Justiça Eleitoral enfrentará neste pleito, entre eles o uso indevido da inteligência artificial, a desinformação, o assédio eleitoral e os impactos das mudanças climáticas.
Ao abrir a coletiva, realizada na Assembleia Legislativa, o presidente ressaltou o papel da imprensa no fortalecimento da democracia. “A imprensa livre e responsável converte dados em conhecimento e conhecimento em confiança. Por isso, a presença dos jornalistas não é um simples ato protocolar, mas parte do próprio processo democrático.”
Inteligência artificial e desinformação
Segundo o desembargador, embora desafios como abstenção, compra de votos e violência política de gênero permaneçam, o uso indevido da inteligência artificial e a disseminação de informações falsas estão entre as maiores preocupações.
“O problema não é a ferramenta, mas o uso que dela se faz para enganar o eleitor. A inteligência artificial generativa permite fabricar imagens, vídeos e vozes com aparência de verdade.”
Ele alertou que conteúdos produzidos artificialmente para manipular o eleitor podem caracterizar abuso de poder e gerar sanções previstas na legislação eleitoral.
Sobre a desinformação, destacou o papel do jornalismo profissional.
“A mentira viaja mais rápido que a correção. É exatamente por isso que o papel da imprensa profissional torna-se ainda mais indispensável.”
Plano para enfrentar eventos climáticos
Pela primeira vez, o TRE-SC criou uma comissão interdisciplinar para planejar contingências relacionadas aos possíveis efeitos do El Niño durante o período eleitoral.
O objetivo é garantir a realização das eleições mesmo diante de enchentes, deslizamentos ou bloqueios de rodovias. O Tribunal elabora um guia interno de resiliência climática e atua em conjunto com a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, Epagri/Ciram, Procuradoria-Geral do Estado e Federação Catarinense de Municípios (Fecam).
Segundo o diretor-geral do TRE-SC, Gonsalo Agostini Ribeiro, a preparação busca assegurar que o voto possa ser recebido normalmente, independentemente das condições climáticas.
Mais de 5,7 milhões de eleitores
Santa Catarina terá 5.725.753 eleitores aptos a votar em 2026, um crescimento de cerca de 236 mil eleitores em relação às eleições gerais de 2022 (4,3%) e de 85.094 em comparação com 2024 (1,5%).
As mulheres seguem maioria no eleitorado catarinense, com 2.992.155 eleitoras (52,26%), enquanto os homens somam 2.733.597 (47,74%).
O presidente destacou que esse crescimento ainda não se reflete na representação política feminina e defendeu maior participação das mulheres nos espaços de poder.
Migração impulsiona crescimento
Grande parte do aumento do eleitorado ocorreu pela transferência de domicílio eleitoral. Foram registradas 260.546 transferências, sendo 157.609 de outros estados e 102.937 entre municípios catarinenses.
Os estados que mais transferiram eleitores para Santa Catarina foram:
Rio Grande do Sul: 40.101
Paraná: 26.167
São Paulo: 18.472
Pará: 15.374
Amazonas: 6.581
Segundo o TRE-SC, trata-se, em sua maioria, de pessoas que já residiam no estado e oficializaram a transferência do título.
Convocação de mesários e campanha
Outra novidade anunciada é que a convocação de mesários poderá ser feita também pelo WhatsApp, por meio do canal oficial do Tribunal. A expectativa é convocar cerca de 80 mil mesários e auxiliares para atuar nas eleições.
O TRE-SC também reforçou a campanha "Diálogo de Paz nas Eleições 2026", lançada em junho. A iniciativa busca incentivar o respeito entre candidatos e eleitores, combater a violência política, o assédio eleitoral, a desinformação e o uso abusivo da inteligência artificial.
“O que buscamos não é o silêncio, mas o contraditório sem ódio. Divergir faz parte da democracia. O que não podemos admitir é que a disputa eleitoral destrua a confiança no processo democrático”, concluiu o presidente do TRE-SC.
Da redação
Fonte: Alesc
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