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Zoonoses exigem atenção e prevenção contínua

Zoonoses exigem atenção e prevenção contínua
Campanha destaca a prevenção de zoonoses, incentiva a adoção responsável e reforça cuidados que protegem animais e seres humanos. (Foto: Daniel Conzi / Agência Alesc)

Publicado em 24/07/2026

A campanha Julho Dourado chama a atenção para a prevenção das zoonoses, doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos, além de estimular a adoção responsável de cães e gatos. A iniciativa foi criada pela Lei Estadual 18.764/2023 e ganhou reforço com a Lei Federal 15.322/2026, destacando a importância da informação, dos cuidados preventivos e da guarda responsável para proteger tanto a saúde pública quanto o bem-estar animal.

Especialistas alertam que medidas simples, como vacinação, acompanhamento veterinário e cuidados com a higiene, reduzem significativamente os riscos de transmissão dessas doenças. Ao mesmo tempo, a campanha busca conscientizar a população sobre a necessidade de oferecer um lar seguro aos animais abandonados.

Esporotricose preocupa em Santa Catarina

Entre as zoonoses mais conhecidas estão raiva, leptospirose, leishmaniose, febre amarela e esporotricose. Esta última tem despertado atenção em Santa Catarina por causa do aumento de registros da doença, principalmente entre gatos.

Em Florianópolis, foram contabilizados 75 casos de esporotricose entre 2021 e 2025. A doença é causada pelo fungo Sporothrix spp. e pode ser transmitida aos seres humanos principalmente por meio de arranhões, mordidas ou do contato de feridas abertas com animais infectados, além do contato com solo ou vegetação contaminados.

Nos humanos, o primeiro sinal costuma ser um pequeno nódulo na pele, semelhante a uma picada de inseto e, em geral, sem dor intensa ou coceira. Com a evolução da infecção, podem surgir úlceras e novos nódulos ao longo dos vasos linfáticos. Embora muitas pessoas demorem a procurar atendimento por causa da ausência de dor forte, o diagnóstico precoce é considerado essencial, já que, em situações raras e principalmente em pacientes imunocomprometidos, a doença pode atingir pulmões, ossos e articulações.

Mateus Ribeiro Gomes, integrante da Diretoria do Bem-Estar Animal (Dibea) da Prefeitura de Florianópolis e agente de combate a endemias, orienta que qualquer suspeita também deve ser investigada nos animais.

"A qualquer sinal de uma ferida que apareça entre os pelos dos animais, tem que procurar atendimento de imediato, tanto aqui no hospital veterinário quanto diretamente com a Dibea."

Além do trabalho realizado pelos órgãos públicos, entidades de proteção animal e voluntários também atuam no enfrentamento da doença. A protetora Rosa Elisa Villanueva afirma que o fungo ocorre naturalmente na terra, mas considera que o crescimento da população de gatos vivendo nas ruas tem favorecido a disseminação da infecção. Para ela, é necessário ampliar as ações de castração e adoção, além de fortalecer as políticas públicas voltadas ao controle da doença.

Adoção responsável é prioridade

A campanha também destaca que a adoção responsável é uma das formas mais eficazes de promover o bem-estar animal. Em Florianópolis, a Dibea realiza o resgate de cães e gatos abandonados e busca encaminhá-los para novos lares.

Segundo o diretor de Bem-Estar Animal do município, Felipe Vieira, todos os animais acolhidos passam por avaliação veterinária. Aqueles que apresentam problemas de saúde recebem tratamento antes de serem disponibilizados para adoção. Após a adoção, os animais continuam contando com assistência veterinária gratuita no hospital veterinário municipal.

O processo de adoção inclui ainda uma análise do perfil dos interessados para verificar a compatibilidade entre tutor e animal. Também são avaliadas as condições do imóvel. No caso dos cães, a residência deve possuir muros para evitar que o animal volte às ruas. Para gatos, casas e apartamentos precisam ser telados, reduzindo os riscos de fugas e acidentes.

Para Felipe Vieira, o envolvimento da população é indispensável para garantir o sucesso desse trabalho.

"A população pode colaborar diretamente por meio da adoção responsável, oferecendo a esses animais o afeto, o cuidado e o acolhimento de um novo lar. O abrigo deve ser apenas uma passagem temporária, pois a verdadeira recuperação se completa quando eles ganham a oportunidade de integrar uma família."

Como prevenir as zoonoses

As zoonoses são doenças provocadas por vírus, bactérias, fungos ou parasitas que podem ser transmitidas entre animais e pessoas. A contaminação pode ocorrer por mordidas e arranhões, contato com fezes, urina e secreções, consumo de alimentos ou água contaminados e também por picadas de mosquitos, pulgas e carrapatos.

A prevenção passa por cuidados básicos, como manter cães e gatos com vacinação em dia, realizar vermifugação e controle de ectoparasitas, levar os animais regularmente ao médico-veterinário e manter a higiene do ambiente. Também é importante lavar as mãos após o contato com os pets, recolher corretamente as fezes, eliminar água parada e fazer o descarte adequado do lixo.

Em caso de feridas, lesões na pele ou mudanças de comportamento nos animais, a orientação é buscar atendimento veterinário o quanto antes. Se houver suspeita de infecção após contato com um animal, a recomendação é procurar uma unidade de saúde.

A campanha reforça que alimentação adequada, vacinação, castração, acompanhamento veterinário e adoção responsável são medidas que contribuem para proteger os animais, reduzir a circulação de doenças e preservar a saúde de toda a comunidade.

 

 

Da redação

Fonte: Alesc

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