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Manguezal do Itacorubi vira foco de divergência
Pesquisadores da UFSC apontam poluição crônica como fator central para a asfixia dos peixes no manguezal

Manguezal do Itacorubi vira foco de divergência
A mortandade de peixes no Manguezal do Itacorubi, em Florianópolis, abriu um debate técnico entre especialistas e órgãos ambientais. (Foto: Reprodução/Projeto Ecoando Sustentabilidade/UFSC)

Publicado em 27/04/2026

A mortandade de peixes registrada no Manguezal do Itacorubi, em Florianópolis, segue gerando análises divergentes entre especialistas e órgãos ambientais. Enquanto o governo do estado aponta um fenômeno natural como principal causa, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) atribuem o problema à poluição recorrente por esgoto não tratado.

Mais de 350 quilos de peixes já haviam sido retirados do local até a manhã de sábado (25), com destinação a aterro sanitário. Considerando o peso médio de uma manjubinha, cerca de 15 gramas, o volume recolhido pode representar mais de 23 mil indivíduos mortos.

Pesquisadores apontam poluição crônica

Em nota técnica divulgada na sexta-feira (25), os pesquisadores Alessandra Larissa Fonseca e Paulo Horta, ligados ao programa Ecoando Sustentabilidade da UFSC, afirmam que a principal causa da mortandade é a asfixia dos peixes. Segundo o documento, o fenômeno estaria relacionado à formação de “zonas mortas”, áreas com níveis críticos de oxigênio dissolvido na água.

De acordo com a análise, esse cenário é resultado da presença contínua de esgoto doméstico sem tratamento na bacia do Itacorubi. O excesso de matéria orgânica intensifica a atividade de bactérias decompositoras, que consomem rapidamente o oxigênio disponível. Fatores como temperaturas elevadas, baixo volume de chuvas e falhas no sistema de saneamento teriam agravado o quadro.

Os pesquisadores também indicam a possibilidade de presença de substâncias tóxicas provenientes do escoamento urbano, identificadas a partir da análise das brânquias dos peixes.

Entre as medidas sugeridas estão a retirada imediata dos animais mortos, maior rigor na fiscalização do sistema de esgoto e a criação de um monitoramento contínuo, inclusive com apoio de ferramentas de ciência cidadã, como o aplicativo “Cientistas do Mar”.

Órgão estadual aponta ação de microalgas

No mesmo dia, o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) apresentou uma avaliação preliminar com outra linha de interpretação. O órgão considera que a mortandade pode estar associada a uma intensa floração de microalgas, que teria reduzido os níveis de oxigênio na água, processo conhecido como hipóxia.

Segundo o oceanógrafo Carlos Eduardo Junqueira de Azevedo Tibiriçá, do IMA, as correntes podem ter concentrado essas microalgas em áreas com pouca circulação, criando condições desfavoráveis para a fauna aquática. Durante a noite, esses organismos consomem oxigênio e, após morrerem, sua decomposição intensifica ainda mais a redução do gás disponível na água.

Esse efeito tende a ser mais crítico em regiões como manguezais, onde a renovação da água é limitada, impactando diretamente espécies mais sensíveis, como a manjubinha.

Recomendações e monitoramento

Diante do cenário, o IMA orienta que os municípios façam a retirada adequada dos peixes mortos para evitar agravamento da contaminação. O órgão também recomenda que a população não consuma os animais e evite contato com áreas onde haja manchas incomuns na água.

As autoridades ambientais seguem analisando o caso e elaboram um relatório mais completo sobre as causas da mortandade, com previsão de conclusão em até 20 dias.

 

 

Da redação

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