Rede Feminina de Combate ao Câncer completa 40 anos
Desde 1986, instituição já atendeu cerca de 80 mil mulheres e oferece exames preventivos, orientação e acolhimento gratuito na Capital
A Rede Feminina de Combate ao Câncer de Florianópolis completa 40 anos de atividades em 2026, com uma história marcada pela prevenção, pelo atendimento gratuito e pelo apoio a mulheres que enfrentam o câncer. Desde a fundação, em 19 de maio de 1986, a instituição já atendeu aproximadamente 80 mil mulheres.
Atualmente, o trabalho reúne cerca de 75 voluntárias e profissionais de diferentes áreas, incluindo médicos, psicólogas, nutricionista e especialistas jurídicos. A entidade oferece exames preventivos, orientações sobre diagnóstico precoce e acompanhamento multidisciplinar, além de manter parcerias para a realização de mamografias.
Somente em 2025, foram realizados mais de 6 mil procedimentos gratuitos. A média é de aproximadamente 400 atendimentos por mês, segundo informações divulgadas pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).
Prevenção e acolhimento gratuito
A trajetória da instituição começou em espaços cedidos no Centro de Florianópolis. Com o passar dos anos, a Rede conquistou uma sede própria no bairro Agronômica, onde mantém suas atividades.
Além dos serviços de prevenção, a entidade oferece suporte a mulheres durante o enfrentamento da doença. Embora não realize tratamento oncológico curativo, auxilia as pacientes com orientações e acolhimento ao longo dessa jornada.
O trabalho também inclui atividades voltadas à autoestima e à convivência, além da confecção e distribuição de perucas para mulheres que precisam delas durante o tratamento.
À frente da instituição na gestão 2025-2026, a presidente Maria Helena Agacy, que atua como voluntária há duas décadas, destaca a importância de ampliar a divulgação dos serviços. Segundo ela, parte da população ainda desconhece as atividades oferecidas gratuitamente.
A manutenção da estrutura depende principalmente dos recursos arrecadados em bazares, das contribuições das voluntárias e da venda de camisetas e produtos relacionados ao Outubro Rosa.
Histórias que mostram a importância da Rede
Ao longo das quatro décadas, a instituição também se tornou um ponto de apoio para mulheres que encontraram dificuldades durante o diagnóstico e o tratamento do câncer.
Uma delas é Rosane de Oliveira Silva, técnica em segurança do trabalho e em produção de moda. Ela conheceu a Rede há mais de 20 anos, quando chegou a Florianópolis e não tinha condições financeiras de pagar por um exame preventivo.
Anos depois, voltou a procurar ajuda após perceber alterações na mama e identificar um caroço. Com o apoio das voluntárias, conseguiu buscar avaliação médica e recebeu o diagnóstico de câncer maligno de mama.
Rosane passou por cirurgia, quimioterapia e radioterapia, além de precisar se afastar do trabalho por seis meses. Atualmente, está com a doença em remissão e voltou à rotina profissional.
A experiência reforçou a importância de investigar alterações no corpo e de procurar atendimento médico. Rosane também ressalta o valor de ser ouvida durante a busca por um diagnóstico, especialmente quando os primeiros exames não esclarecem os sintomas.
Outra paciente que encontrou apoio na instituição foi Claudete Peters. Cabeleireira, ela conhece o trabalho da Rede há 28 anos e, em 2025, recorreu ao acolhimento das voluntárias enquanto enfrentava um câncer.
Para Claudete, o suporte emocional recebido contribuiu para atravessar um período delicado. A experiência também reforçou a importância de manter os exames preventivos em dia.
Voluntariado transforma a vida de mulheres
O trabalho da Rede também mobiliza pessoas que encontraram no voluntariado uma forma de contribuir com a comunidade.
Maria Albertina Schmidz Bonin, primeira-secretária da instituição, começou a atuar após a pandemia. O que inicialmente seria uma atividade para ocupar o tempo se transformou em um compromisso com o atendimento e a organização dos serviços.
Entre as experiências que marcaram sua trajetória está o contato com mulheres em diferentes situações sociais, incluindo aquelas privadas de liberdade. Para ela, todas devem receber atenção, orientação e respeito, independentemente de sua condição financeira ou história de vida.
A instituição procura oferecer um ambiente seguro para quem chega com medo de um possível diagnóstico, combinando informações sobre prevenção com escuta e acolhimento.
Além de atender às pacientes, as voluntárias participam de ações educativas e atividades de conscientização sobre os cânceres de mama e do colo do útero, com atenção especial à importância do diagnóstico precoce.
Programação dos 40 anos segue até outubro
O aniversário da Rede Feminina de Combate ao Câncer está sendo celebrado com uma agenda especial integrada ao Outubro Rosa. As atividades incluem eventos culturais, homenagens e iniciativas abertas à comunidade.
Entre os compromissos previstos estão o Sarau Literário Outubro Rosa, em 24 de outubro, com arrecadação de livros para a instituição; uma sessão especial na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em 26 de outubro, às 19h; e uma sessão solene na Câmara Municipal de Florianópolis, em 29 de outubro, às 16h.
O encerramento da programação está previsto para 31 de outubro, com o evento Jardim Rosa Florescer em Rede, no Parque Jardim Botânico, no bairro Itacorubi.
Ao completar quatro décadas, a instituição mantém como prioridades ampliar o acesso aos serviços, incentivar a prevenção e conscientizar a população sobre a importância de procurar atendimento diante de sinais suspeitos. A história da Rede também evidencia o papel do voluntariado e do acolhimento no apoio às mulheres durante momentos difíceis.
Da redação
Fonte: Alesc
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