00:00
21° | Nublado

Antecipar escolhas constrói um envelhecer mais consciente
Em um país que envelhece rápido, planejar a maturidade torna-se um ato de liberdade, autocuidado e cidadania

Antecipar escolhas constrói um envelhecer mais consciente
Planejar a maturidade envolve saúde, vínculos, propósito e finanças, elementos que, segundo a psicóloga, sustentam independência na velhice. (Foto: Freepik)

Publicado em 21/11/2025

Falar sobre envelhecer ainda é, para muitos, um tabu. Mas segundo a psicóloga e especialista em Gerontologia, Candice Pomi, adiar essa conversa é um erro que pode custar autonomia, saúde emocional e propósito de vida no futuro. “Planejar o envelhecimento não é pensar apenas na velhice; é pensar em como queremos viver os nossos próximos 30, 40 anos”, afirma.

Em um país que envelhece rapidamente, mas ainda pouco se prepara para isso, o tema é urgente. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população com mais de 60 anos vai dobrar até 2050, representando cerca de 30% dos brasileiros. Já um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que apenas 1 em cada 4 pessoas faz algum tipo de planejamento financeiro ou emocional para o envelhecimento e é essa falta de planejamento um alerta de Candice.

“Não basta saber que vamos viver mais, é preciso entender como saber viver bem. A liberdade que buscamos aos 60 começa nas escolhas que fazemos aos 30 e na maneira como começamos o plano de longevidade aos 40”, reforça ela.

Planejar o envelhecimento envolve dimensões múltiplas: emocional, social, física e financeira. E quanto antes começar, melhor. A especialista defende que a preparação deve ser encarada como um ato de liberdade e autocuidado, não de medo. “Cuidar da mente, cultivar vínculos, desenvolver propósito, manter a saúde e aprender a lidar com as mudanças do tempo são formas de garantir independência e dignidade no futuro. É preciso deixar de pensar no envelhecimento como algo ruim já que, pela lógica, se estamos ficando velhos é porque a vida deu certo. Envelhecer é um processo biológico e fundamental no ciclo da vida; ‘errado’ é morrer cedo”, explica Candice.

O aspecto emocional, muitas vezes negligenciado, é um dos mais críticos. A solidão entre pessoas idosas é considerada um problema de saúde pública pela OMS desde 2023, com impacto direto em depressão, demência e até mortalidade precoce. “Construir uma rede de apoio e manter vínculos sociais ativos é tão importante quanto poupar dinheiro. A vida emocional precisa ser planejada, nutrida e renovada com o tempo”, acrescenta.

A psicóloga também chama atenção para o impacto das transformações profissionais no envelhecimento. Com o aumento da expectativa de vida, as pessoas estão passando por duas ou até três carreiras ao longo da vida. “Aos 40, é hora de olhar para o futuro profissional com curiosidade, não com medo. A maturidade pode ser um terreno fértil para reinvenções se houver preparo emocional e autoconhecimento”, afirma.

Mais do que uma pauta de saúde pública, a longevidade é, para Candice, uma pauta de cidadania. “Planejar o envelhecimento é um ato político e de amor-próprio. É a chance de escrevermos nossas próximas décadas com autonomia, propósito e presença e não deixarmos que o tempo decida por nós.”, finaliza.

 

 

 

Da redação

Para receber notícias, clique AQUI e faça parte do Grupo de WHATS do Imagem da Ilha.

Gostou deste conteúdo? Compartilhe utilizando um dos ícones abaixo!

Pode ser no seu Face, Twitter ou WhatsApp!

Para mais notícias, clique AQUI

Siga-nos no Google notícias

Google News