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Mulheres negras enfrentam formas mais severas de câncer de mama
Mudança nas diretrizes amplia acesso à mamografia a partir dos 40 anos e reforça importância do rastreamento precoce

Mulheres negras enfrentam formas mais severas de câncer de mama
Estudo nacional investiga os motivos pelos quais mulheres negras enfrentam maiores taxas de mortalidade por câncer de mama no Brasil. (Foto: Freepik)

Publicado em 19/10/2025

Um estudo coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) está investigando os fatores que tornam o câncer de mama mais agressivo em mulheres negras brasileiras. A pesquisa, intitulada Mantus — Mulheres Negras e Câncer de Mama Triplo Negativo: Desafios e Soluções para o Sistema Único de Saúde (SUS), busca compreender os aspectos genéticos, sociais, ambientais e comportamentais que contribuem para essa desigualdade e propor melhorias no atendimento pelo SUS.

De acordo com o mastologista Marcelo Prade, esse tipo de tumor cresce rapidamente, oferece menos opções de tratamento e costuma ser diagnosticado tardiamente, o que reduz as chances de cura. “Esse tipo de câncer, o TNBC, não responde aos tratamentos hormonais convencionais e exige atenção redobrada. Infelizmente, ele é mais comum entre mulheres negras, que muitas vezes enfrentam barreiras no acesso à saúde”, afirma o médico, especialista em mastologia e reconstrução mamária desde 2021.

Dados do INCA apontam que mulheres negras têm maior incidência do TNBC e enfrentam um prognóstico mais desfavorável. Em comparação com mulheres brancas, o risco de morte por câncer de mama é 57% maior entre negras e 10% maior entre pardas. O padrão também se repete em outros países, reforçando a necessidade de políticas públicas específicas e ações de conscientização que considerem as particularidades desse grupo.

Mamografia aos 40

Enquanto o estudo Mantus investiga os fatores de risco específicos, mudanças recentes nas diretrizes nacionais também ampliam o acesso ao rastreamento. Diante do aumento de casos em mulheres mais jovens, No final de setembro, o Ministério da Saúde passou a recomendar a mamografia sob demanda já a partir dos 40 anos, mesmo em mulheres sem sintomas. Antes, o exame era indicado apenas a partir dos 50. A faixa etária para rastreamento também foi ampliada até os 74 anos.

“Essa mudança é muito positiva. Mulheres mais jovens estão sendo diagnosticadas com câncer de mama, e agora temos respaldo oficial para começar a investigar mais cedo”, ressalta Prade.

Atividades físicas contribuem para prevenção do câncer

Dados do relatório Controle do Câncer de Mama no Brasil: Dados e Números 2025, publicado pelo INCA, apontam que Santa Catarina tem a maior taxa ajustada de incidência de câncer de mama no país: 74,79 casos por 100 mil mulheres. A estimativa para 2025 é de 3.860 novos diagnósticos no estado, sendo cerca de 340 apenas em Florianópolis.

Diante desses números, que revelam desigualdades no acesso ao diagnóstico e tratamento, o especialista reforça a importância de ações contínuas. “O câncer de mama não escolhe cor de pele, por isso o sistema de saúde precisa garantir que ninguém fique para trás. Toda mulher merece acesso ao diagnóstico precoce e tratamento digno, o ano inteiro, não só em outubro”, completa o mastologista Marcelo Prade.

 

 

 

 

Da redação

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