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O sonho...por André Vasconcelos
Sonhar é acordar-se para dentro, escreveu o grande Mário Quintana!

O sonho...por André Vasconcelos
Nas padarias brasileiras recebeu o nome poético de ‘sonho’, talvez pela leveza da massa e a doçura cremosa do seu recheio... um sonho de sabor!!!! (Foto: Divulgação)

Publicado em 16/01/2026

Dizem que o que diferencia os homens dos animais é a capacidade de sonhar! Sonhar com dias melhores, com um grande amor, com uma viagem ao redor do mundo, sonhar com um lindo ano novo, sonhar com um cardápio perfeito, enfim: sonhar!!! Vitor Hugo, o escritor francês, já sonhava com seus escritos: “Pensar é ter cérebro. Sonhar é ter na fronte uma auréola”.

E Freud alardeou que “O sonho é a satisfação de que o desejo se realize.”
Ter sonhos nos faz ter esperança!
E algumas vezes traz fome... fome de sonho!

Talvez um simples sonho de padaria, um sonho gastronômico!
Uma massa levíssima em forma de bola, passada no açúcar, algumas vezes com canela em pó, e recheada com creme de confeiteiro como são os mais clássicos, ou com doce de leite e até goiabada ... um sonho!!!!!!
No Brasil ele é presença certa em toda vitrine de padaria, talvez pois isso, por associarmos padaria a padeiros portugueses, imaginamos que seja mais uma das delícias da doçaria portuguesa... ledo engano!
Em todo o mundo encontramos doces semelhantes, desde Israel com o sufganiyah, os donuts americanos ou o bismarck do Canadá!

Mas a história leva a crer que esses pães doces, fritos e recheados, têm origem na mesmo na Alemanha, e inspirado em uma guerra... ou no fracasso de um soldado. Por volta de 1756 na Prússia, Frederico, o Grande, recrutou todos os homens saudáveis para defender Berlim de uma invasão, entre eles um jovem padeiro que foi designado para cuidar da munição da artilharia pesada, isto é, das balas de canhão.

Logo os militares perceberam que o soldado-padeiro não tinha o menor talento para a guerra e, quando foi afastado, voltou a trabalhar como assistente em uma padaria. Um padeiro em sua essência é um cozinheiro, e como todo cozinheiro, talvez pelo ambiente hostil e do calor que cozinha nossos ‘miolos’, gosta de inventar novos sabores e apresentar novas receitas.
Decidiu então, criar a sua nova receita: ainda traumatizado com o treinamento bélico, fez bolas de massa inspiradas nas balas de canhão, e ao invés de forneá-las, fritou-as! Nasceu a Berliner Pfannkuchen, ou Bola de Berlim, uma singela homenagem à cidade que escapou da destruição mais uma vez graças a seu exército, seus canhões e suas balas.
Nas padarias brasileiras recebeu o nome poético de ‘sonho’, talvez pela leveza da massa e a doçura cremosa do seu recheio... um sonho de sabor!!!!

 

No Brasil o que se conta é que o sonho surgiu na São Paulo nos idos anos 1920, inspirado na Berliner, mas feito com a sobra da massa do pão doce que era frita em bolas irregulares e maiores que as originais, passadas no açúcar fino e recheado com um creme à base de manteiga, ovos e aromatizado com baunilha.
E esse sonho de doce tem primos no mundo inteiro com receitas bem semelhantes, como o “bombolone” italiano, típico da região da Bolonha, ou o brioche “troppézziene”, um clássico da francesa Saint- Tropez.
O francês, dizem ter sido criado por um paraquedista polonês, que participou da libertação da Riviera Francesa ao final da Segunda Guerra, e apesar de semelhante, tem a massa mais rica em sabores, com muita manteiga e ovos, e é assado, passado no açúcar e recheado com o creme de confeiteiro.
Esse soldado polonês se apaixonou pela região em que caiu de paraquedas, literalmente, e montou ali uma padaria cujo carro chefe era esse ‘sonho’, que dizia ser 
uma receita de sua mãe... e um belo dia, uma jovem entra em sua padaria e também se apaixonou pelo doce!

A bela jovem era Brigite Bardot que gravava na região o filme “ E Deus Criou a Mulher”, e essa mulher criou um ícone: le troppézziene, o sonho francês!!!!
E quantas vezes a francesa Brigitte não alimentou meu juvenis sonhos...

 

A receita original que veio da Polônia é chamada Paczki, na Croácia é Krafne, na Inglaterra são os doughnuts, na Finlândia, recheados com marmelada, são os Hillomunkki, e os primos da América Latina são as borlas de fraile!!!!
Enfim, o sonho é um doce do mundo, cheio de histórias e muito sabor, onde cada local tem a sua receita!
Se você tem um sonho, lute por ele, mesmo que todos te chamem de louco, sonhador e tentem te impedir de realizá-lo.
Afinal, o sonho é teu, e o único que deve acreditar nele é você.
E viva o sonho.

 

 

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Sobre o autor

André Vasconcelos

André Vasconcelos

Cozinheiro raiz e autodidata, hoje no comando de sua Cozinha Singular Eventos e d'O Vilarejo Hospedaria e Gastronomia, onde insumos e técnicas são a base de cardápios originais e exclusivos... e aprendiz de escritor também!


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