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Tendências para 2026: o que se consolida no cenário do vinho
Movimentos já consolidados no exterior começam a influenciar o mercado brasileiro e moldam o que deve ganhar força no próximo ano

Tendências para 2026: o que se consolida no cenário do vinho
As tendências que já movimentam o mercado internacional começam a aparecer no Brasil e indicam os estilos que devem marcar 2026. (Foto: Freepik)

Publicado em 11/12/2025

O ano termina com o Brasil recebendo poucas novidades reais do mundo do vinho. Ainda somos um país que vive de rótulo e preço, o que é compreensível. Somos muito grande e diverso, o vinho chegou "de verdade" aqui há pouco tempo e, claro, temos um custo muito alto em toda a cadeia, seja de importação ou produção local.

Isso faz com que as tendências globais demorem a chegar. Mas, de olho no mercado mundial e antecipando movimentos há tempos – através de viagens, feiras internacionais e trocas constantes com colegas do exterior –, destaco algumas tendências que estão chegando devagar por aqui, mas já são realidade lá fora.

 

1. Pinot Noir além da Borgonha

Falar de Borgonha é quase redundante para quem, como eu, é apaixonado e se especializa na região. No entanto, com produção limitada, nomes icônicos e demanda absurda, os preços estão inacessíveis. A Pinot Noir é uma uva complexa, que na maioria dos lugares não alcança a elegância que tanto amamos nela. Ainda assim, alguns países têm feito vinhos mágicos. Meu destaque vai para dois:

Alemanha: Regiões como Pfalz, Baden e Ahr têm história, terroir e produtores habilidosos, como Meyer-Näkel, Jean Stodden, Weingut Keller e Fürst, que produzem grandes vinhos que estão cada vez mais respeitados e procurados.

Estados Unidos: Especialmente no Oregon, e em partes frias da Califórnia, a influência da Borgonha é clara – inclusive com produtores franceses atuando por lá. Recentemente, provei um Lingua-Franca às cegas em uma seleção de Borgonhas, e muitos se confundiram.

 

2. Outros brancos em destaque na França

Há um movimento forte em regiões francesas mais econômicas, mas com histórico de vinhos frescos e marcantes. O Vale do Loire, com seus Muscadet, e o Sul da França, tradicionalmente focado em tintas, encontram com a uva Picpoul de Pinet um lugar fantástico nos melhores wine bars e restaurantes da Europa. Até na Borgonha, o ressurgimento da Aligoté de qualidade é um fato marcante e cada vez mais fácil de encontrar.

 

3. Piemonte em seu auge

Nunca esteve tão em alta. Esta bela região no noroeste da Itália, com influência alpina, produz brancos excelentes e, principalmente, tintos de Nebbiolo que seguem a filosofia da Borgonha: buscando a tipicidade de cada vinhedo, com elegância extrema e preços mais acessíveis. A nova geração de produtores, como Giulia Negri, Piero Busso e Cascina delle Rose, está sob os holofotes mundiais, e uma taça de qualquer um deles é a felicidade de qualquer sommelier.

 

4. O reconhecimento da Garnacha espanhola

Por fim, e não menos marcante, é a consagração da Garnacha na Espanha. Regiões como Campo de Borja, Vadejalón e a Sierra de Gredos (em Madrid) produzem vinhos únicos e fantásticos, que já conquistam as melhores mesas. A altitude, as amplitudes térmicas extremas e os solos pobres conferem aos vinhos concentração, fruta exuberante, finesse e acidez vibrante. São, preço a preço, alguns dos meus favoritos do ano. Nomes como Bodegas Frontonio (do genial Fernando Mora), 4 Monos, Ca di Mat e Comando G estão mudando o cenário do vinho espanhol.

Poderia falar muito mais, dos espumantes ingleses, dos brancos atlânticos portugueses ou das Syrah de climas frios. Mas vamos esperar as tendências se consolidarem e teremos espaço para tratar de cada uma exclusivamente. Até lá, o conselho é: procurem e provem cada vez mais.

 

 

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Sobre o autor

Eduardo Machado Araujo

Eduardo Machado Araujo

Certified Sommelier - Court of Master Sommeliers


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